sexta-feira, 23 de maio de 2014

Júnior, eu não te avisei?

Por Frederico Jayme Filho
Coisa ruim de se dizer a alguém de seu relacionamento e pior ainda de se ouvir é a pergunta, em tom de admoestação: Eu não te avisei ? Pois é Júnior, eu não te avisei sobre Iris Rezende? Não cantei a pedra muito antes que o punhal da traição, aquele que nunca enferruja de tanto ser usado, lhe fosse cravado nas costas? E você me respondia cândidamente que confiava na palavra de Iris Rezende, dada a você e à direção nacional do PMDB, de que não queria e nem seria candidato ao Governo de Goiás. E se repeti várias vezes o aviso a Júnior não foi porque tenho o dom da adivinhação e sim porque conheço de sobra o velho coronel e seu jogo de cena para, pisando sobre os companheiros, buscar a luz dos holofotes para seus projetos pessoais. Assim foi, num passado mais distante, com o professor Nion Albernaz, com o então senador Henrique Santillo e com o ex-governador Mauro Borges, atropelados pela megalomania irista, que vem destroçando gradativamente o PMDB de Goiás. E assim repetiu-se a fórmula do boicote, da traição e do solapamento de qualquer projeto que não fosse o dele próprio, como experimentaram, mais recentemente, Henrique Meirelles e Vanderlan Cardoso. Não foram poucas as vezes que, reunido na casa do ex-presidente do Banco Central, em Brasília, alertei-o de que Iris Rezende, com domínio majoritário do diretório estadual, não lhe permitiria sequer o direito de disputar a convenção. O deputado federal Thiago Peixoto foi testemunha desses encontros. Da mesma forma avisei a Vanderlan Cardoso, embalando sua candidatura na seara peemedebista, que Iris o mandaria segurar na brocha pois estava lhe retirando a escada. Outra vítima do coronel Iris Rezende é o ex-governador Maguito Vilela, torpedeado em seu projeto de reeleição em 1998. Aliás, diga-se de passagem, que se Maguito tivesse sido candidato Marconi Perillo não teria disputado o governo. Eu, que tive como primeiro e único partido político o MDB, depois transformado em PMDB, lamento profundamente o que está ocorrendo com a legenda, hoje dividida, destroçada mesmo pela ganância de quem julga ser o único capaz de vencer a próxima eleição, em nome de um povo que há décadas o rejeita após a constatação de que só foi usado como massa de manobra. Lamento sobremaneira pelos companheiros do interior do Estado, mais uma vez frustrados em seus esforços para reconquistar o Governo de Goiás. Essas lideranças, depois de amargar sucessivas derrotas com Iris, enxergaram em Júnior Friboi o componente novo e a esperança de vitória. De outro lado Iris é certeza. Certeza de derrota mais uma vez. O PMDB de Goiás nunca viveu uma crise como a dos dias de hoje, onde, embora minoritário, mal chegando a 15% dos convencionais, Iris passou a ameaçar o diretório estadual, com a promessa de ir às ruas para protestar e afrontar a decisão da grande maioria dos convencionais e ainda mais, de apoiar de público a campanha do candidato petista Antônio Gomide. O chamado movimento Volta Iris, além de minoritário, é insignificante em termos de lideranças partidárias, composto em sua maioria por viúvas de um irismo decadente. Esse quadro nefasto trouxe um grande desalento ao partido e levou um grande número de prefeitos do PMDB a anunciar de público apoio ao projeto de reeleição do governador Marconi Perillo, antes mesmo que este se declarasse como pré-candidato. Causa asco ouvir Iris falar em democracia e agir como déspota; dizer que vai ouvir quando sabe perfeitamente de que sua rejeição dentro do PMDB chega ao esmagador patamar de 80%. É deplorável que Júnior Friboi não tenha tido paciência para resistir ao jogo torpe e tenha jogado a toalha, enojado ao descobrir a tramóia que nunca cessou de ser praticada. A grande maioria do PMDB fica órfã da esperança de vencer com Júnior para aguardar a certeza de mais uma derrota de Iris Rezende. (Frederico Jayme Filho, advogado, ex-secretário de Segurança Pública e ex-presidente da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas do Estado de Goiás)

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