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sexta-feira, 23 de maio de 2014
Racismo: por que ainda existe? Questão de ignorância? Fator cultural?
Por Marcos Oliveira
O último ato de racismo contra o jogador Daniel Alves tem causando grande comoção na sociedade mundial, principalmente na brasileira. Casos de racismo no futebol infelizmente ainda são como comuns. Exemplos não faltam, como foi o caso do jogador Tinga no Peru, durante um jogo entre Sporting Cristal e Atlético Mineiro, pela Copa Libertadores da América. Na ocasião toda vez que atleta estava com a bola alguns alguns imitavam um macaco.
Outro fato que também chamou atenção foi o do árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva. Ao apitar partida entre Esportivo e Veranópolis ele ouviu vários xingamentos racistas e ao deixar o campo e dirigir ao estacionamento encontrou o seu veículo depredado e com várias bananas colocadas sobre ele.
O fato mais recente de racismo no esporte acontece em abril, com o jogado Daniel Alves, que joga pelo Barcelona da Espanha. Um torcedor jogou uma banana próximo ao jogador no momento em que ele iria cobrar um escanteio. A reação de Daniel Alves foi imediata, pegou a fruta, descascou e comeu. Este ato correu o mundo em tempo real, causando indignação.
São cenas que entristece a maioria da sociedade. É inadmissível que em 2014 ainda exista casos de racismo. O mundo evoluiu. As descobertas científicas dão conta de que o DNA, que decifra o código genético de cada ser vivo, é o mesmo em todas as pessoas, independente de cor, sexo, etc. Pessoas negras tem o mesmo DNA de pessoas brancas, nada difere. A cor da pele é uma questão de quantidade de melatonina e determinantes geográficos que exercem adaptações na cor da pele no espaço de milhares de anos.
O mais interessante e irônico é que em meio a tanta polêmica, o fóssil humano do homo sapiens foi encontrado na África e ainda, três crânios fossilizados descobertos na Etiópia são ditos pelos cientistas para estar entre as mais importantes descobertas já feitas na busca da origem dos seres humanos.
O Homo sapiens surgiu há cerca de 150 mil anos, provavelmente na África, em decorrência de adaptações sobre o Homo erectus (ser humano em estágio anterior) ao meio em que eles viviam. Até então o Homo sapiens tem evoluído e aumentado o número de indivíduos, eliminando seus predadores (animais mais fortes fisicamente), exercendo domínio sobre a natureza.
O racismo existe porque houve no passado o mito da supremacia branca, quando alguns europeus ao realizar comparações do continente europeu com o da África definiu o branco como superior e o negro como inferior, por se encontrar em um estágio de evolução obsoleto e, sem perspectivas de se desenvolver.
Com o tempo este mito caiu por terra. O desenvolvimento da ciência e da biologia provou que nada tem a ver. Todas as pessoas são inteligentes, precisam terem acesso às condições necessárias para se desenvolver.
O índio em seu estado bruto não acumula, portanto, não tem com que se preocupar em ser mais inteligente que outros povos. Na África, a natureza também é pródiga (caça, pesca, frutas, sementes, raízes etc), muita água. Não se cobrará de si mesmo “pensar” muito.
Na Europa, os cataclismas, vulcões, condições geográficas adversas exigiu que o homem pensasse mais do que o africano e o indígena. A mesma coisa acontece no Peru com a civilização Maia. Nas montanhas as condições são desfavoráveis, com isso, o os incas se desenvolveram muito mais do que o indígena brasileiro ou tupi-guarani. A questão cultural conta muito. A criança branca nasce e os pais e a própria sociedade já introjeta nela esta ideia, assim como, a criança negra que cresce sendo vítima de bullyng, na rua, na escola e em outros locais.
Finalizando, o racismo se encontra fortemente relacionado também com a ignorância. Ou seja, o racista continua a sê-lo porque é desprovido de conhecimentos (avanços científicos, a biologia, o DNA, considerando-se ainda o sadismo). Infelizmente, ainda temos que conviver com esta praga que teima em resistir, mesmo após o mundo inteiro ter se curvado a um exemplo de ser humano: NELSON MANDELA.
(Marcos Oliveira, professor, historiador e pós-graduado em Docência do Ensino Superior)
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