Este é o blog da editoria de opinião do jornal Diário da Manhã. Aqui, a sua opinião acerca dos assuntos e fatos da atualidade serão publicados. Seja bem-vindo!
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Sistema estadual de educação e a literatura Goiana
Por Antônio Almeida
Em 2009, nós tivemos uma decisão histórica, adotada pelo Pleno do Conselho Estadual de Educação, que é o órgão normativo e fiscalizador de todo o Sistema Educativo de Goiás: a aprovação de uma medida legal que determina a inclusão do estudo de Literatura Goiana em todas as escolas das redes pública e particular em todo o Estado. Esse universo abrange cerca de 4.500 escolas de ensino fundamental e médio, além da UEG e Faculdades Municipais de Aragarças, Rio Verde, Goiatuba, Mineiros e Anicuns.
Segundo a decisão do Conselho, que acolheu o brilhante Parecer da emérita pesquisadora Maria Zaira Turchi, atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), o estudo regular dos autores goianos e das obras literárias produzidas em Goiás deve constituir-se em conteúdo integrante da disciplina de Língua Portuguesa, além de História, Geografia, Artes ou outras em que o diálogo interdisciplinar seja possível. Preceitua ainda que todas as escolas devem também realizar semanas literárias, seminários e concursos de incentivo à leitura e ao estudo dos nossos escritores.
Não foi definida a criação da disciplina Literatura Goiana. Isso seria, de fato, impróprio, pois, já temos na grade curricular um número elevado de disciplinas regulares. A Literatura Goiana foi enquadrada pelo Conselho como um conteúdo que deve integrar os programas de disciplinas já existentes. Essa deliberação, que se encontra em vigor, expressa o reconhecimento do Conselho de que a produção literária em Goiás é de boa qualidade estética. Temos escritores premiados e reconhecidos nacionalmente. E é fundamental que toda a rede da educação valorize a cultura local e incentive a leitura das obras e o estudo dos autores da nossa terra.
Passados cinco anos e meio da adoção dessa medida, tão reivindicada pela Academia Goiana de Letras, União Brasileira de Escritores-seção Goiás, IHGG e todas as demais entidades culturais e literárias do Estado, será que as nossas escolas estão realmente cumprindo a deliberação do Conselho Estadual de Educação?
Seria importante o próprio Conselho, que é o órgão responsável por autorizar e reconhecer toda escola do Sistema Estadual de Educação, realizar um levantamento com base no projeto político-pedagógico de cada estabelecimento de ensino e pesquisas de campo, sobre a execução ou não da medida e os seus impactos. Além de verificar os documentos legais e suas previsões didáticas, o Conselho poderia visitar, por amostragem algumas escolas, para conversar com professores, pais e alunos, visando detectar in loco se, de fato, a sua decisão está sendo ou não respeitada.
Muitas escolas têm sido exemplares na aplicação da medida adotada pelo Conselho. Porém, sabemos que há escolas que até hoje ainda não inseriram a Literatura Goiana como conteúdo nas disciplinas de Língua Portuguesa, História, Geografia, Artes ou outras. E também não fizeram semanas literárias, seminários e concursos de incentivo à leitura e ao estudo dos autores goianos. Neste sentido é importante que o Conselho tome as providências adequadas, na forma da lei, para que a sua decisão seja respeitada por todas as escolas públicas e particulares em Goiás, sem nenhuma exceção.
Tivemos ao longo desse período de vigência da norma até os dias atuais, algumas iniciativas interessantes, como a homenagem promovida pela Assembleia Legislativa com a entrega de certificados às escolas da rede pública e privada que adotaram obras de autores goianos como leitura obrigatória. A Câmara Municipal de Goiânia, em parceria com a Academia Goiana de Letras e outras instituições culturais do Estado, instituiu o prêmio A Escola Amiga do Escritor Goiano para a capital.
Mas, nós precisamos avançar muito mais nessa área. A literatura produzida em Goiás é de excelente qualidade. Temos escritores extraordinários e novos talentos surgem a todo momento no meio editorial goiano. Todas as escolas devem ser estimuladas, não apenas à inclusão da Literatura Goiana como conteúdo em disciplinas de ciências humanas, como determina o Conselho Estadual de Educação, mas também à realização de projetos mais amplos, consistentes e profundos de apoio à leitura dos autores da nossa terra, como sessões de autógrafos, visitas dos autores às escolas, realização de colóquios, palestras, seminários, estudos, encenação de peças teatrais, leituras de textos e exposições.
Todo o Sistema Estadual de Educação precisa se envolver mais a fundo, contribuindo com a difusão das obras escritas por autores do nosso Estado, dentro e fora do ambiente escolar.
Desde o início do ensino fundamental até a universidade, o aluno goiano precisa ser incentivados a lerem os títulos dos autores da terra. Assim teremos efetivamente o fortalecimento do mercado editorial local com a valorização da leitura e da cultura goiana. Não temos nada contra os autores de outros Estados e países. Porém, precisamos olhar mais pra dentro do mercado editorial local e descobriremos que Goiás possui obras e escritores tão qualificados e talentosos quanto os notáveis do eixo Rio-São Paulo e outros centros considerados mais desenvolvidos.
(Antônio Almeida, vice presidente da Fieg e presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Fieg, do Sigego/Abigraf, da Editora Kelps e presidente de honra da Abraxp)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário