Este é o blog da editoria de opinião do jornal Diário da Manhã. Aqui, a sua opinião acerca dos assuntos e fatos da atualidade serão publicados. Seja bem-vindo!
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Você está com medo de sair de casa?
Por Henrique Gonçalves Dias
Está ficando cada vez mais difícil viver no Brasil. Saímos para ir à farmácia ou ao supermercado e não sabemos se voltamos vivos. É pior do que estar numa guerra, porque numa guerra você sabe quem são os amigos e os inimigos, aqui não, até o cara de gravata, boa aparência, que te sorri numa agência bancária e lhe dedica um bom dia, pode transformar-se num maldito latrocina. O direito de "existir" é o mais sagrado que temos. E existir é poder sair, transportar-se livremente daqui para ali, poder expor suas idéias sem medo de represálias, saber que seus filhos foram acampar e que nada de criminoso ocorrerá com eles, saber que seus governantes, seus reis ou rainhas, são pessoas dignas, honestas, incorruptíveis, enfim, aquilo que se experimenta em inúmeros países do mundo que não chegam nem aos pés da grandiosidade econômica do Brasil, pois, somos a "8.ª do mundo; territorial, pois somos o maior país abaixo da linha do Equador; do ecossistema, águas, caramba, dá até raiva de ter esta consciência dos fatos e saber que, para mudar o panorama, é preciso lisura e o "povão", que na hora de fazer protestos parece um urso bravo, na hora de votar parece ovelhinha seguindo para o matadouro...
Para piorar o tal "panorama" o sistema de "Saúde" está doente. Os nossos "cais" são "caos". Gostaria de finalizar mencionando que um dos maiores fotógrafos do mundo, Luiz Cláudio Marigo, pioneiro na fotografia da natureza no Brasil, cujos milhares de trabalhos incluem fotos para a National Geographic e
revistas da Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão, Polônia, Suíça e muitos outros morreu, por incrível que pareça, de um ataque cardíaco que ocorreu dentro de um ônibus intermunicipal. O motorista fez de tudo para salvá-lo mas ele veio a falecer dentro do ônibus, na frente do Instituto Nacional de Cardiologia que lhe negou atendimento porque estava em "greve". O tal "Instituto Nacional de Cardiologia" fica no Rio de Janeiro, cidade onde Marigo, nasceu e morreu. Que pena, em pleno vigor, aos 63 anos, com toda a experiência acumulada, não pôde comemorar o dia 5 de junho, "Dia Mundial do Meio Ambiente", pelo qual lutou toda uma vida.
A Liana John soube captar poeticamente o momento que vivemos com respeito a esta trágica perda. Ela escreveu:
"Quem foi criança ou adolescente nos anos 1980 e colecionou as belas imagens de animais contida nas embalagens do chocolate surpresa, hoje está de luto. Quem considera a biodiversidade brasileira uma riqueza inestimável para ser compartilhada por todo o mundo por meio de fotografias, hoje está de luto. Quem admira a paciência, a resistência necessária aos fotógrafos de natureza para registrar cenas exclusivas de nossa fauna e nossa flora, hoje está de luto. Quem luta contra a bur(r)ocracia das nossas unidades de conservação, cujos administradores são incapazes de entender a importância do trabalho dos fotógrafos de natureza para a conservação da biodiversidade, hoje está de luto".
É. O Marigo não foi morto por uma fera, como a onça, cujas fotos exigiu, muitas vezes, que arriscasse a própria vida. Ele foi morto pelo sistema que perpetuamos, um sistema falido, corrupto e fadado ao desaparecimento. Que a morte absurda do grande fotógrafo, que deixa a família desconsolada, seja mais um "aviso". Até, espero...
(Henrique Gonçalves Dias, jornalista)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário