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segunda-feira, 9 de junho de 2014
Anatomia de um país feliz
Por Salatiel Soares Correia
O voo de São Paulo até o destino final não dura mais que duas horas. Chegando lá, de cara, um belo cartão de visitas se apresenta ao viajante, o aeroporto de Carrasco. Este impressiona não só pela modernidade de sua esplendorosa estrutura, como também pela agilidade com que as bagagens chegam aos passageiros que lá aportam.
Os serviços de táxi incluem carros para todos os gostos, inclusive moderníssimas Mercedes. O trajeto até o hotel não gasta mais que vinte minutos. Do aeroporto ao “point” da capital daquele país, constituído pelo bairro de Carrasco e de uma espécie de Copacabana cisplatina, o Bairro de Pocitos, é bem rápido. Durante esse trajeto é possível observar o elevado padrão daquela pequena nação, cujo diâmetro não dista mais que 600 quilômetros do extremo norte ao extremo sul: o Uruguai. Um minúsculo país onde habitam não mais que três milhões de pessoas. Casas e apartamentos de excelente padrão embelezam uma paisagem ornamentada pelo balançar das águas do Rio da Prata. A cordialidade das pessoas denota que, nesse pedacinho de mundo, habita um povo feliz. Habita um povo feliz num país tão próximo e tão diferente culturalmente de nós brasileiros.
Coisas impensáveis de serem vistas nas ruas do Brasil são vistas em Montevidéu. Desde as poucas crianças de um país envelhecido brincando nas ruas a senhoras idosas ostentando suas joias e bolsas pela noite e madrugada adentro. Exala a sensação de segurança por todos os lados na capital uruguaia.
Todos têm direito à educação — inclusive o direito de entrar na universidade sem vestibular. “como então funciona a meritocracia no sistema educacional de seu país?”, indaguei ao simpático engenheiro químico que proseava comigo durante o voo. “A meritocracia se evidencia no transcorrer do curso, os piores vão sendo paulatinamente eliminados. Só se formam os mais capacitados”, respondeu-me ele. Nada mais justo. Ninguém pode reclamar que o governo não lhe deu oportunidade de fazer um curso superior.
Bons vinhos, regados a carnes de alta qualidade, pão, batata e verduras. Esta é a comida básica que se consome na terra que tem grandes escritores, como é o caso do inesquecível Eduardo Galeano ─ autor do clássico "As Veias Abertas da América Latina".
Boa comida se encontra não só nos inúmeros restaurantes que existem na cidade, mas também nos dois mais tradicionais mercados de lá: o do Porto (localizado no cais) e o Agrícola (bem perto do centro da cidade).
Se seu objetivo é curtir climas mais bucólicos, o Uruguai lhe oferece a cidade de Sacramento, uma espécie de Parati brasileira ou, então, o suntuoso balneário de Punta Del Este. É lá que se localiza o famoso Hotel Conrad e, para quem gosta, no famoso cassino do hotel, pode-se jogar à vontade, pois o jogo não é proibido em terras uruguaias.
Nos modernos shoppings da capital — como o Punta Carreiras — percebe-se, ante as grifes internacionais lá existentes — o elevado poder de compra das classes média e alta do país. Um país tido como um dos menos corruptos do mundo.
Vagueando pelo centro da cidade, numa feira dominical, alguém oferece um panfleto para mim e minha esposa. Como no Brasil, é tempo de eleições no país do escritor Mario Benedetti. Parece que a esquerda permanecerá no poder com a iminente volta ao poder do antigo presidente Tabaré Vasquez. No Uruguai, não existe reeleição.
“Aqui, somos ou descendentes de espanhóis ou italianos”, disse-me entusiasticamente o taxista orgulhoso de sua origem europeia. Percebi nele um misto de alegria que se metamorfoseia na delicadeza não só de quem me conduzia pelas ruas da aprazível Montevidéu. Passando por lá uns dias, vem-me a mesma impressão que tive quando estive no país, pela primeira vez, há uns vinte anos: a de que a felicidade neste mundo aflora em terras cisplatinas.
(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento, autor, entre outras obras, de A Energia na Região do Agronegócio)
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