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sexta-feira, 6 de junho de 2014
Caiado pode repetir Demóstenes e Rachel Azeredo
Por Magali Carnot
Pré-candidato “a qualquer custo”, Ronaldo Caiado (DEM) pode embarcar em um caminho sem volta para a derrota, pois a história mostra que o líder do Democratas nunca ultrapassou 3,56% dos votos.
Engana-se quem pensa que o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) é colecionador invicto de vitórias. Em sua vida, colecionou não poucas, mas, não arrisco afirmar, mais derrotas do que vitórias.
Ronaldo Caiado entrou para a vida política pelas vias democráticas – pela porta da frente – disputando no voto o espaço representativo do povo goiano.
Mas em 1989, arriscou-se se candidatar presidente da República. Enfrentou Ulisses Guimarães, Afif Domingos, Lula, Covas e Paulo Maluf em uma verdadeira “corrida maluca” nas primeiras eleições presidenciais diretas após a redemocratização.
Mesmo carregando a bandeira da “agricultura” (não se falava em agronegócio), os produtores não corresponderam em Goiás e nem no Brasil. O povo apostou no “novo”, e embarcou no populismo de Fernando Collor, esquecendo até a “luta popular” de Lula. Resultado: Ronaldo Caiado, candidato ao cargo majoritário foi um fiasco nas urnas. Ironicamente, pelo PSD, Ronaldo Caiado obteve 488.846 votos (0,6% do eleitorado), ficando em 11º lugar naquelas eleições. Pior: em Goiás, ficou sem a resposta e o bairrismo esperado e amargou um 5º lugar, ficando atrás de Afif Domingos – candidato à presidência apoiado pelos principais parlamentares goianos.
Entretanto, como a vida é justa com aqueles que dispõem de luta e ideal, Ronaldo Caiado foi contemplado nos anos posteriores como principal articulador e defensor da luta ruralista no País. Lutou contra bancos, é verdade! Mas seu grande trunfo foi manter aceso o discurso de que “a agricultura é a grande alavanca econômica do País, e aquele que está entre a manivela e o papel, deve ser reconhecido pelo Estado Brasileiro”. Em outras palavras: o agricultor e a agricultura são quem garantem a sustentabilidade, o desenvolvimento e a economia do Brasil.
Caiado venceu todas as eleições seguintes para deputado federal e foi um parlamentar atuante. Mas, todos os processos de articulação política a um cargo majoritário articulado por Ronaldo Caiado foram projetos, por um motivo ou outro, desconstruídos. Caiado não acertou nenhuma articulação política no campo majoritário em Goiás e no Brasil.
O próprio líder dos Democratas afirma que erra quando acerta. Parece ser um processo de conclusão de lógica invertida, mas Marconi Perillo, Demóstenes Torres e José Eliton foram três obras primas bem articulada por Ronaldo Caiado que o próprio Ronaldo Caiado jogou para o campo do desacerto.
Foi Ronaldo Caiado o homem de coragem a pegar Marconi Perillo com 4% nas pesquisas e percorrer o Estado em busca da construção do “Tempo Novo”. Hoje, quem se preocupa com as coisas que Caiado disse sobre Marconi em recentes empreitadas, não pode esquecer-se das gravações da “Rádio K” em que “ditador do Cerrado”, “Corrupto” e “atrasado” eram os menores elogios que Ronaldo Caiado tecia a Iris Rezende.
Depois, colocou o pé na porta da base aliada para construir Demóstenes Torres ao Senado. A criatura deu certo. Não fossem os escândalos nacionais, Demóstenes seria o melhor político da história do País. Estourado o caso Cachoeira, não se ouviu sequer um pronunciamento de Ronaldo Caiado. E com razão. Naquela altura, assim como mais de 2 milhões de goianos, não havia muito o que se justificar. O caso Demóstenes apenas comprovou que os verbos “errar” e “enganar” são indicativos inerentes à pessoa humana.
O que importa para o processo de 2014 é que a história até permite erros, mas não os sucessivos desacertos. Caiado só desacertou quando articulou as eleições no campo majoritário.
Em 1989 poderia ter composto chapa com o PFL de Aureliano Chaves. Saiu candidato pelo PSD. De 1999 a 2002 poderia ter sido o braço direito de Marconi Perillo e até sucedê-lo no governo – fez oposição. Em 2004 poderia ter mudado os rumos da política da capital, mas apostou em Rachel Azeredo que obteve 22.341 votos, 3,53% do eleitorado, menos da metade que obteve para deputada estadual.
Em 2006 prejudicou parlamentares da base e diminuiu a bancada do PFL, lançando Demóstenes Torres ao governo do Estado. Isolado, alcançou 3,51% dos eleitores, exatamente 95.701 dos votos.
Pois bem. Em 2010, parece que Caiado teria aprendido a lição. Forçou a barra, ou mesmo que fosse forçado pelos companheiros de partido, voltou a caminhar com Marconi Perillo. O resultado foi a volta do crescimento do seu partido. Elegeu dois deputados federais, dois estaduais, Senador, vice-governador e, nas eleições seguintes, o partido partiu de 9 para 17 prefeitos.
Veja que a conjectura demonstra que apesar da ingratidão, a história do PFL e do DEM são de vitórias ao lado do governador Marconi Perillo.
Mas, como é o destino de Caiado, parece que ele mesmo não admite acertos, entrou novamente em rota de coalisão com a base aliada – dessa vez de forma abrupta e gratuita – pois não tinha sequer motivos para o presidente do DEM romper ou se rebelar contra o tucano, e, em sequência, tratou de colidir com o vice governador José Eliton, que possui personalidade e trajetória próprias.
Ocorre que agora, ao entardecer das Convenções (o prazo final será dia 30), Ronaldo Caiado faz a declaração de que será candidato a “qualquer custo” e que “sairá sozinho se preciso for”. No jogo de possibilidades, Ronaldo Caiado não detém nenhuma credibilidade histórica que confirme que ele cumprirá a palavra e que manterá sua coerência.
Veja que Caiado esmagou a terceira via em Goiás, destronando a força de Vanderlan Cardoso (PSB). O seu partido por Resolução não coliga com o PT. O Iris é “ultrapassado”, “corrupto” e destruiu a “Caixego e a “Cachoeira Dourada”, em suas palavras gravadas de 1998, e o Marconi e José Eliton simplesmente não fazem seu estilo. Não há caminho no oceano político goiano para Ronaldo Caiado se aportar.
Assim, o deputado rema para construir uma “candidatura solo”. A afirmação de concluir os projetos sem ouvir os demais atores do processo político e enfrentar a candidatura ao Senado “custe o que custar”, pode custar caro à história política do deputado.
O tempo mostrou quer não foi o fato de Rachel Azeredo ser a deputada estadual mais votada que a fez eleger-se prefeita de Goiânia. Não foi o fato de Demóstenes ser eleito Senador e ter derrotado Iris Rezende que o fez eleger-se governador. Pelo contrário. As articulações isoladas de Ronaldo Caiado no campo majoritário nunca ultrapassaram 3,5% dos votos em Goiás. Sem prefeitos, partidos, tempo de TV, candidatos a deputado estadual e pão duro como tem a fama de ser, Ronaldo Caiado deve repetir a história das eleições da prefeitura de Goiânia e do governo de Goiás. Os candidatos eram bons, a articulação é que era errada.
Custe o que custar: sozinho não dá. Fere a inteligência da política e não levará o deputado a atingir mais de 3,5% do eleitorado. Mas, como a premissa é de que a vitória tem muitos pais e a derrota é órfã, cabe ao Caiado compartilhar a guarda do seu projeto político ou assumir sozinho, na solidão do seu partido, o resultado das urnas.
A trajetória de 25 anos de Caiado mostra que o tempo passa, mas os erros persistem.
(Magali Carnot, jornalista e escreve para o Diário da Manhã)
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