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terça-feira, 10 de junho de 2014
Carta ao Grupo Superação: Carlos Fernando, Ildeu Dorneles, Andréa Teles, Maria de Lourdes Primo, Erenita Soares, Clotildes Maria...
Por Vanderlan Domingos
São tantas as pessoas amigas que vivem o mal do século que tive que colocar reticências no final do título desta crônica. A doença, qual seja, ela por si só, muda muita coisa na vida da gente, mas algumas se tornam invisíveis com o passar dos tempos. Não é como ter câncer ou sofrido um acidente que às vezes nos deixam inválidos. A maioria das pessoas sequer tem qualquer entendimento sobre o que é viver com a doença, a dor e seus efeitos, e para aqueles que acham que sabem… Dependendo da situação, sabem nada. Mas hoje, com o espírito em júbilo, esperançoso e com a sensibilidade à flor da pele, resolvi manusear o teclado do computador e digitar algumas palavras que vão se amontoando no monitor no afã de formar um texto plausível, simples, mas sempre com o desiderato de informar àqueles que não entendem ou não procuram entender porque algumas pessoas usam a internet para compartilharem suas dores e exporem o que estão sentindo, assim como, demonstrarem a vontade férrea de viver e fé inconteste em Deus porque mesmo sabendo que a medicina se evoluiu, em certas situações, sabem que só Ele pode curá-las desse mal. São pessoas que nos dão exemplo de luta pela sobrevivência.
São pequenas coisas que eu gostaria que todos entendessem antes de julgá-las.
E, por favor, entenda que “estar doente” não significa que vocês não são mais seres humanos. Eu passei e tenho passado anos a fio numa considerável dor, talvez, hoje, seja a invisível, pois a visível, deixei para trás num leito de hospital, e se me encontrarem, em qualquer lugar, provavelmente, irá notar que eu continuo com o mesmo sorriso assim como você. Sou um sobrevivente também e posso dizer-lhes que “ainda sou eu” – só que agora preso num “corpo” onde faltam algumas “peças”, mas a vida é assim mesmo. Bola prá frente amigos! Somos como a um veículo que com o passar dos anos também precisa de manutenção.
Quero também que vocês entendam a diferença entre “feliz” e “saudável”. Quando ficamos gripados, com dor de cabeça, geralmente sentimos meio “pra baixo”; eu passei “bons bocados’ com a minha saúde, mas sobrevivi. E por isso mesmo não posso dar ao luxo de estar de cabeça baixa o tempo todo, porque Deus esteve comigo sempre. O fato é que eu lutei e luto diariamente para não me sentir um coitado ou tornar-me um fraco; se você se comunicar comigo e eu parecer feliz, então significa que eu estou realmente feliz! Entretanto, não significa necessariamente que eu não estou sentindo coisa alguma ou não me lembre das dores que sofri; ou que eu não esteja extremamente exaurido, exausto; ou que eu tenha melhorado definitivamente; ou qualquer dessas coisas…
Ao conversar ou compartilhar com vocês os problemas de saúde quero que digam aos amigos: “- Oh! Sinto-me bem melhor hoje!” ou ainda, com um sorriso nos lábios: “Estou bem mais saudável.” Não finja, seja normal. Nem fiquem confusos, pois cada dia que passa nunca saberá o que pode acontecer… Procurem entender que a dor não é una, é variável, é plural. É quase possível que um dia vocês se sintam totalmente dispostos a dar uma volta pelo parque, ir e voltar andando do mercado; enquanto que no dia seguinte possam ter uma dificuldade enorme de ir de um quarto a outro. Faz parte da vida. Mas se você for uma pessoa capaz, por favor, tente se lembrar o quão sortudo você é…, por ser fisicamente perfeito de fazer tudo e todas as coisas que qualquer pessoa com saúde pode fazer. Pense nisso!
Obviamente, a dor aguda ou crônica, pode atingir tanto todo o corpo como localizar-se em áreas específicas. Dor é uma experiência sensorial ou emocional desagradável que ocorre em diferentes graus de intensidade – do desconforto leve à agonia –, podendo resultar da estimulação do nervo em decorrência de lesão, doença ou distúrbio emocional. Algumas vezes participar de uma simples atividade física tanto por um curto ou por um longo período pode causar mais lesões e dores físicas que vocês sequer imaginam. A dor não pede licença, se vocês não se cuidarem ela vem e toma posse de seu corpo. Sem falar no tempo de recuperação que pode ser bem intenso. Nós nem sempre podemos ler isso no rosto ou na linguagem corporal de vocês.
Se este texto estiver contrariando-os, provavelmente devo ter perdido algumas penas sapientes das asas de minha imaginação. Mas se escrevo e porque sofro junto com vocês, talvez não fosse esta forma que eu deveria escrever. De fato, mesmo depois de ler muitas mensagens suas eu tento e muito arduamente ser normal, mas algumas vezes não consigo. Espero que vocês compreendam. Eu vivenciei e tenho vivenciado o sofrimento de todos, e sei que alguns ainda caminham por um processo longo de recuperação, enfrentando dores terríveis! Dor que é algo difícil de entender e aceitar a não ser que vocês ainda não tinham ou nunca tiveram. É algo terrível que desregula nossos sentidos, o corpo e a mente. É exaustiva e exacerbada. É tão terrível que em certos casos os médicos são obrigados a aplicar até morfina. Quanto a mim, quase todo tempo, eu tenho dado o melhor para me adaptar às “peças” que me faltam e continuar com a minha vida usando a melhor das minhas habilidades – a escrita e minha criatividade! Tudo que peço é para que vocês entendam isso, e as pessoas que manifestam na internet ou não, aceitem suas dores e sofrimentos. Sabemos que vocês querem apenas o amparo deles, a amizade e suas orações...
Eu sei que alguns literalmente não entendem a situação a menos que eles caminhem por um entendimento diferente; mas peço também que tentem entender de uma forma geral, e se puderem, orem bastante. Deem o carinho e amparo necessários, indistintamente. Por fim, queiram vocês ou não, se forem seus amigos de verdade, eles serão a conexão para o exercício de uma vida normal. Eles podem ajudar a mantê-los em contato com a parte da vida que perderam, eu não sei quais são, mas certo de que existem algumas dessas partes que hoje podem estar fazendo falta.
(Vanderlan Domingos de Souza, advogado, escritor, missionário e ambientalista, vice presidente da União Brasileira dos Escritores; presidente da ONG Visão Ambiental; diretor de Divulgação do Instituto Movimento Santuário da Arte; e membro da Academia Morrinhense de Letras. Escreve todas as quartas-feiras - Email: vdelon@hotmail.com /Blog: vanderlandomingos. blogspot.com / Site: www.ongvisaoambiental.org.br)
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