quinta-feira, 5 de junho de 2014

Conscientização no dia nacional de luta contra queimaduras

Por Antonio Faleiros
Desde 2009, o Brasil instituiu o 6 de junho como o Dia Nacional de Luta contra Queimaduras. O intuito da data é conscientizar sobre os riscos, as formas de prevenção, principalmente no ambiente doméstico onde ocorre a maioria dos acidentes, e também orientar quanto aos primeiros socorros e cuidados. No país, conforme dados do Ministério da Saúde, os casos de queimaduras representam um agravo significativo à saúde pública. Em 2011, por exemplo, 1.437 pessoas foram internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de queimados e a taxa de óbito chegou a 17,95% (258) das internações. Quando me deparo com este assunto, logo me vem à tona uma história marcante, de uma paranaense que já se tornou goiana: a da minha querida amiga, vereadora Dra. Cristina, que teve 85% do corpo queimado. Após o episódio, no início dos anos 90, ela veio para Goiânia. Sua luta e amor pela vida e pela profissão (ela tem formação em Fisioterapia e Educação Física) fizeram-na superar o trauma e se dedicar a cuidar de milhares de pessoas vítimas da mesma dor, sequelas e preconceito, atuando como chefe do Serviço de Fisioterapia do Instituto Nelson Piccolo e Pronto Socorro de Queimaduras. Junto à família Piccolo, pioneira no tratamento de queimaduras na região Centro-Oeste, a vereadora criou um grupo de apoio aos pacientes queimados, chamado Núcleo de Proteção aos Queimados (NPQ). Além disso, Cristina também trabalha na formação e pós-graduação de novos profissionais na área da saúde dermato-funcional em várias instituições de ensino superior. As crianças são grandes vítimas das ocorrências de queimaduras e a maior parte dos casos notificados ocorre dentro de casa. Entre as queimaduras mais comuns, tendo as crianças como vítimas, estão as que envolvem a manipulação de líquidos quentes, como água fervente, e as que ocorrem em casos de violência doméstica. Já entre os adultos do sexo masculino, as queimaduras mais frequentes ocorrem em situações de trabalho. Os idosos também representam um grupo de risco alto, principalmente devido às limitações físicas peculiares à idade. Queimaduras causadas pelo uso de álcool líquido e outros inflamáveis e as que ocorrem por agente químicos estão entre as mais predominantes na população de uma forma geral. O primeiro cuidado, em caso de acidente, é impedir que o contato do corpo com o fogo, líquidos e superfícies aquecidas, entre outras causas, permaneça. Logo em seguida, deve-se lavar o local atingido com água corrente, de preferência por tempo suficiente até que a área queimada seja resfriada. Outro passo muito importante é procurar um profissional de saúde no posto ou pronto-socorro mais próximo. Ele saberá quais os cuidados necessários para a recuperação do paciente. Jamais, repito, jamais passe algum produto ou receita caseira na área atingida. Em Goiás, temos uma carência de unidade hospitalar pública que presta atendimento a vítimas de queimaduras. As unidades referência neste tipo de assistência são privadas, conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como o Hospital de Queimados em Goiânia. Por isso, quando trabalhamos na elaboração do projeto do Hugo 2, insistimos para que o hospital tivesse uma ala para queimados. Será este o diferencial do Hugo 2. O hospital terá 13 leitos exclusivos para atendimento a vítimas de queimaduras. (Antonio Faleiros Filho, médico do Trabalho e ex-secretário de Estado da Saúde)

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