quinta-feira, 5 de junho de 2014

Meio ambiente ou ecologia?

Por Avelar Lopes de Viveiros
Desde 1972, a partir de uma conferência patrocinada pela ONU em Estocolmo, comemora-se no dia 5 de junho o dia do meio ambiente. Mas não só do meio ambiente. Neste dia comemora-se também o dia da Ecologia. Mas não é a mesma coisa? Acho que não. Enquanto o meio ambiente define um conjunto de coisas que se inter-relacionam, tais como vegetação, animais, solos, atmosfera, fenômenos naturais e organismos de uma determinada região, Ecologia é uma ciência voltada para o estudo da influência ou interação entre os seres vivos e o ambiente dessa mesma região. Proteger o meio ambiente, ou o conjunto de unidades naturais de uma área que permitam a vida, é fundamental para garantias de condições futuras de existência das espécies. Mas isto não ocorre sem a Ecologia. Entende-se primeiro a complexidade desta relação, para poder adotar medidas preservacionistas. Ao assumir o Comando do Policiamento Ambiental do Estado de Goiás, passei a me preocupar mais seriamente com o assunto e tentar entende-lo. Confesso que ainda me falta muito. Mais é obvio para mim que, a defesa do meio ambiente não pode e não deve ser feita de maneira radical. Entendo os que adotam esta pratica, pois são dominados pelo pensamento tupiniquim do “exijo muito para ter um pouco”. Outros se movem pelo desejo de resgatar o tempo perdido e os prejuízos passados. Se esquecem de um detalhe que é fundamental: Sua atitude afasta aqueles que exploram os recursos naturais mas que, potencialmente, poderiam tornar-se parceiros fundamentais na defesa do ecossistema. As posturas ambientais dos órgãos fiscalizadores me parecem ambíguas, o que tem diluído forças. Ao invés de praticarmos uma ciranda em que todos de mãos dadas caminham numa direção, fazendo com que a atividade seja realmente produtiva, preferimos o jogo de gato e rato, onde cada um esconde o que tem e ninguém consegue trabalhar em parceria, exceto quando o acaso nos junta no meio da natureza. Os governos querem arrecadar e as pessoas precisam comer. Não há outra forma que eu conheça que não seja o trabalho para produzir riquezas. Sendo assim, a política ambiental nacional não pode criminalizar a produção, sob pena de matar a galinha dos ovos de ouro. Por outro lado, não pode banalizar sua existência ignorando destruição dos recursos naturais. O que fazer então? Parece-me que o cabo de guerra está instalado. Precisamos então economizar energia e chegar a um acordo que seja bom para todos. Ora, é evidente que os recursos naturais são para serem explorados, ops, utilizados pelos seres viventes. Precisamos aprender a fazer isto com a sabedoria instintiva dos animais, que bebem de um poço sem nunca destruí-lo. Também nós temos que ser ensinados a utilizar o que nos é disposto, sem extenuar os recursos disponíveis. Esta é, a meu ver, a melhor política. O homem não é só um ser vivente, mas é apegado à vida ainda que não seja a vida que ele queria. Assim, imaginar que deixará de produzir ou gerar riqueza pessoal para preservar é pura sandice. É malhar em ferro frio, como diria minha mãezinha de saudosa memória. Demonstre a ele, contudo, que sua riqueza será tão maior quanto for sua capacidade de preservar, e ele não será só seu parceiro como assumirá ele mesmo uma posição de liderança no conceito de preservar. Agindo assim, teremos um exército cada vez maior e poderemos um dia, de fato, salvar a natureza. Salvá-la de nós mesmos. P.S.: O ambiental vem protegendo os cardumes que sobem o Araguaia-Rio vermelho. Foram apreendidos mais de 900 kg de peixes fora do permitido. Fiquei triste porque os peixes já estavam mortos quando os encontramos. Mas não há dúvida que a noticia se espalhou e a destruição diminuiu. Só não diminui a ação nociva dos índios que pescam com rede e, para não entupir seus freezers, jogam fora na margem os peixes que não lhes interessa. Os órgãos federais precisam agir. (Coronel Avelar Lopes de Viveiros, comandante do policiamento ambiental de Goiás)

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