quinta-feira, 5 de junho de 2014

Copa do Mundo de 2014 - Se mostra Brasil! - IV

Por Gilson Vasco
Doze cidades das cinco regiões do Brasil receberão a Copa do Mundo de 2014: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Estima-se que quase 33 bilhões de reais já foram investidos em aeroportos, estádios e novos sistemas de transportes, tudo para adequar a infraestrutura das capitais aos milhares de turistas que virão ao evento. Em 1950, os jogos foram realizados em seis cidades-sede: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal e Salvador vão receber pela primeira vez um campeonato mundial enquanto as demais cidades eleitas já receberam o Mundial há 64 anos. Primeira pergunta: se a intenção do governo com a Copa do Mundo é realmente o desenvolvimento das cidades porque não agiu para que as cidades que ainda não foram contempladas recebessem as partidas, como Goiânia, Aracaju, Rio Branco, Macapá etc.? Embora a resposta seja óbvia, não ousarei nenhum palpite, deixo isso a cargo dos leitores, mas de uma coisa estamos certos: as novas construções ou reformas dos estádios iniciaram em janeiro de 2010 e, apesar de já ter ficado comprovado que as obras bilionárias não irão ficar prontas, membros do governo tentam desmentir a realidade. Outros exemplos estão nas estruturas das cidades-sede que precisarão melhorar e muito sua infraestrutura a fim de receber as delegações de turistas e torcedores estrangeiros. O governo confundiu quantidade com qualidade, de modo que até hoje, passados mais de meio século da realização da primeira Copa do Mundo no Brasil, o número de sedes para a Copa de 2014 será desnecessariamente o dobro. Como vimos, doze cidades irão sediar os jogos do mundial a partir de 12 de junho e, como deixou para a última hora, correr contra o tempo parece não ter ajudado em nada. Andamento das obras: Belo Horizonte: Principal obra: Estádio Mineirão. Custou quase 700 milhões de reais. A modernização do Mineirão inclui construção de cobertura, vestiários, novas arquibancadas, estacionamentos e esplanada. O estádio tem 64,5 mil lugares e, em 21 de dezembro de 2012, se tornou o segundo palco pronto para a Copa, depois do Castelão. Obras de mobilidade urbana umas estão prontas e outras em estágio de finalização, graças aos gastos excessivos. Brasília: Principal obra: Estádio nacional Mané Garrincha. A obra apesar de pronta custou mais de 1 bilhão de reais aos cofres públicos. As obras de mobilidade urbana estão atrasadinhas, mas como brasileiro tem mania de deixar tudo para a última hora, quem sabe o que vai acontecer. Outras foram riscadas da programação. Cuiabá: Principal obra: Arena Pantanal. Custou aos cofres públicos mais de meio milhão de reais e uma das obras de mobilidade urbana, como o VLT, por exemplo, que custaria quase um bilhão e meio de reais teve problemas com o Ministério Público e com a Justiça e a entrega do modal até a Copa do Mundo é improvável. Fortaleza conseguiu entregar suas obras a tempo, Estádio Castelão, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e Aeroporto Pinto Martins, porém, se engasgou nos altos gastos também, ou seja, o custo total das obras ultrapassou um bilhão de reais. Bem não vou mais citar as outras cidades, pois todas elas umas não conseguiram concluir as obras e as que conseguiram também extrapolaram nos gastos. Daí o valor aproximado de 33 bilhões de reais terem sido gastos com a Copa do Mundo de 2014. Veja no nosso próximo artigo que a presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, disse que não irá admitir nenhum tipo de baderna que possa impedir as pessoas de assistirem à Copa do Mundo. Baderna?! Bem, baderna quase a totalidade dos brasileiros também não admitirão, mas a melhor hora de nós brasileiros mostrarmos nossa indignação pelas falcatruas políticas é agora, sem badernas, claro, afinal, de baderna basta aquela que muitos políticos fazem pelo Brasil. Os brasileiros não estão contra a Copa em si, mas contra os gastos abusivos num país que declara crises e mais crises. (Gilson Vasco, escritor - gcvasco@hotmail.com)

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