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quarta-feira, 4 de junho de 2014
É possível, em menos de seis meses, eliminar a dengue na "Grande Goiânia?
Por Henrique Gonçalves Dias
O Brasil já conseguiu isto na década de 50. É só pesquisar no "Oráculo do Século XXI", o Google. Depois, graças aos nossos vizinhos, "que falam espanhol", fomos "infectados" novamente. Ao menos é isso que consta na história registrada mas, a verdade, é que o Brasil é o "foco" da dengue nas Américas. Como o Bóris Casoy, que foi editor da "Folha de S. Paulo" por duas vezes, sempre diz: "Uma vergonha!". Acabar com a dengue significa acabar com o sofrimento e a perda absurda de centenas de vidas e de bilhões de reais nos próximos anos, então, lógico, eu já deveria ter escrito este artigo bem antes, o por quê não o fiz? Não sei. Não sei mesmo! Só Deus sabe quantas milhares de palavras eu digitei e depois deletei mas, o que é facilmente contornável, transponível ou transpassado por pessoas normais, sensatas, cautelosas, parece algo intransponível para um molóide como eu, sem coeficiente emocional, além disto, o pior, o pior mesmo, invariavelmente, todas as vezes que me empenho em campanhas conquisto inimigos confessos que, volta e meia, em encontros casuais em supermercados ou praças, me criticam e alguns, inclusive, com a maior cara de peróba, rangendo os dentes com os olhos esbugalhados, bem "aspirados" e "inspirados", bradam as mazelas ou os erros que eu cometi ou deixei de cometer, dos artigos que eu escrevi ou deixei de escrever, das pessoas que eu critiquei ou deixei de criticar, "sei lá, entende?", então eu, "simples-mente", confesso, sem quaisquer arrependimentos, que fiquei aqui no meu cantinho, quietinho, escandalizado, indignado, como qualquer um, afinal, dois terços dos casos de dengue nas Américas, América do Norte, América Central e América do Sul, ocorrem no Brasil, na "América Latrina", como gostava de escrever e falar, o saudoso Paulo Francis. Como já mencionei e volto a repetir, são milhares de brasileiros infectados, muitos mortos, famílias condenadas a sofrimentos perpétuos, bilhões e bilhões de reais gastos com toda a parafernália montada nos "Sistemas Críticos", como o da saúde, e da "Previdência Social". Com a erradicação da doença no País, pode-se facilmente imaginar o "alívio" para o sistema de saúde. Quantos serão os médicos e leitos que estarão disponibilizados para outras "urgências"! Bem, vou deixar o blá-blá-blá das lamentações para fazer juz ao título, afinal, existe mesmo uma metodologia que extermine com a dengue em menos de seis meses em Goiânia e até na "Grande Goiânia"?
Este pernilongo, o Aedes Aegypti ou o "pernilongo rajado", proveniente da África, está espalhado pelo mundo, principalmente nas grandes cidades. É como se tivessem sido domesticados pelos humanos. Na verdade, foi isto mesmo que ocorreu. Assim como as baratas e os ratos, estas pequenas criaturas aladas aprenderam, nestas últimas décadas, a conviver com os humanos, tanto que em alguns lugares é alcunhado de "pernilongo dos armários" porque as fêmeas costumam viver ali e debaixo de cadeiras, pequenos cantos isolados da casa. Essa fumegação, ou pulverização, realizada com aquela barulhada e cheiro horrível, não adianta nadica de nada. A fumaça, ou o fumacê, não consegue atingir o interior das casas e edifícios e, se por um milagre, uma rajada de vento leve a fumaça para o interior, estará tão dissipada que não causará incômodo algum para as "pernilongas" que, quietinhas, continuarão dormindo e aguardando o momento certo para desovar, cerca de 150 ovinhos de cada vez e, mãe muito zelosa que é, tratará de abrigá-los em lugares assombreados, um pouco acima do nível da superfície, como pneus, entulhos, frestas, quase sempre no quintal da casa que habita. Pode parecer incrível, mas os ovos podem "sobreviver" 15 meses! Somente a fêmea alimenta-se do nosso "rico" sangue para poder reproduzir. Os machos alimentam-se de açúcar que sugam das flores, então, voltando, não adianta nada remover a água estagnada do pratinho do vaso. Isto, na verdade, até ajuda para que a eclosão dos ovos ocorra com sucesso. Não adianta jogar água com mangueira ou balde. Somente um produto inseticida consegue, de modo eficaz, eliminar a possibilidade destes ovos eclodirem. Fiz o curso para manusear uma das máquinas "Fog" mais modernas que existiam no mundo. Na eliminação de "pernilongos comuns" e outros vetôres, estes equipamentos são apropriados, muito eficientes, entretanto, como já dissemos, as pernilongas da dengue não são "selvagens", foram "domesticadas".
Então, esta é a verdade. A única maneira de erradicar, exterminar com este mosquito é a pulverização que, comumente, chamamos de dedetização. O objetivo, o "foco", não é eliminar os pernilongos é eliminar os "ovos". Parei de utilizar o termo "dedetização" na década de 80 quando, consultando o "Dicionário Aurélio", vi o "significado" da palavra e fiquei boquiaberto, estupefato. "Dedetização é o método de eliminar insetos utilizando DDT". Ora, pensei, o maldito produto, o tal do DDT, donde vem a palavra "DeDeTização", que era produzido nos Estados Unidos, já havia sido proibido há décadas! Bem, para resumir a história, fizemos um anúncio da empresa que eu presidia ser publicado nas "Páginas Amarelas" de São Paulo, Capital, com a palavra "Desinsetização" com letras garrafais e ocupando toda a largura da parte superior da página do "lado direito", claro. A princípio, a direção daquele órgão de editoração não queria publicar o anúncio alegando que tal palavra, a saber, a palavra desinsetização, não existia no dicionário. Mas conseguimos e, lá, bem em cima, no tôpo, não havia como não ver! No outro ano, mais de 40 empresas utilizaram-se da palavra "desinsetização" em seus anúncios. Então, se o único meio eficaz para eliminação dos insetos e seus ovos é a "desinsetização", o problema seria montar uma estrutura para desinsetizar, literalmente, todas as casas e prédios numa cidade, no caso da "Grande Goiânia", mais de meio milhão! 500.000 casas! Impossível? Mas, e se a população fosse conclamada à tomar uma posição incisiva diante do alarmante problema através de uma campanha gigantesca em todas as mídias? Tal campanha poderia "convidar o povo a arregaçar as mangas" e fazer a tal da pulverização utilizando-se destes pequenos pulverizadores que adquirimos quando compramos, nos supermercados e mercearias, produtos de limpeza ou amaciantes para passar roupas, enfim, encontra-se estes pequenos pulverizadores de 1 ou 2 litros até nos lixos, então, munidos com os tais "pulverizadores portáteis" a população compareceria em "bancos de inseticidas" montados em praças e prédios públicos e, munidos de CIC, para comprovarem que são pessoas maiores, receberiam sua "cota de inseticida", totalmente gratuita, um panfleto com todas as instruções sobre a diluição e a maneira de aplicação e assinaria um termo de responsabilidade. O povo goiano já mostrou que é "bão" de "mutirão". Eu e alguns amigos já estamos na fila dos voluntários para a tal "Campanha". Outra "coisa". O governo pode respirar sossegado porque o produto inseticida que combate essas "capetinhas" é barato e diluído em água. Bem, é até feio falar em "custo-benefício" neste caso, então, vamos arregaçar as mangas? Até.
(Henrique Gonçalves Dias, jornalista)
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