terça-feira, 3 de junho de 2014

Eleição do Sintego: Avanço ou retrocesso para educação em Goiás?

Por José Pereira das Virgens
A eleição do Sintego deste ano ocorreu de forma muito conturbada, como sempre foi. Com objetivo de ter um sindicato desatrelados de sigla partidária, o professor José Terra que já havia concorrido na eleição de 2011, conseguiu com muita peleja/dificuldade montar uma chapa, a de número 3 “MOVIMETO MUDANÇA”, para disputar a presidência do sindicato. O professor enfrentou muita dificuldade, pois só lhe restava o horário livre de sua regência em sala para formar esta chapa. Foi trabalhoso convencer professor sindicalizado e corajoso que pudesse enfrentar e formar uma equipe. Entrou com pedido do registro da chapa 3, mas foi negado pela comissão da entidade do Sintego, alegando falta de documentação. O presidente da chapa 3 entrou com recurso, confiante de concorrer a eleição. O juiz do Tribunal Regional do Trabalho analisou e julgou justa o registro da chapa 3 e determinando prorrogação da eleição para 16 a 17 de junho, conforme o artigo 114, III, da Constituição Federal, garantindo a mesma disputar a diretoria da entidade. Porém, o Sintego recorreu da decisão e derrubou o pedido da chapa 3, excluindo a mesma de concorrer com as chapas 1 e 2. Na eleição de 2011, conseguiu concorrer como chapa de oposição. No entanto, muitos professores só tomaram conhecimento quando pegou a cédula para votar, pois o sindicato não divulgou as duas chapas antes para que os sindicalizados tomassem conhecimento (das duas chapas existentes), e ainda, ocorrendo muitas irregularidades no processo de votação e apuração, levando a chapa da situação vencer e manter mais três anos na liderança. Este ano, mesmo sabendo do poder que eles têm, e também sem ter recurso e tempo, o professor José Terra e alguns companheiro formaram uma equipe para disputar a presidência desse sindicato que se arrasta há 3 décadas com a mesmas pessoas. Ao longo dos anos foi perdendo filiados, a credibilidade, e a consequência é a desunião da categoria, perda salarial, pressão sobre professor das escolas, ferindo ainda mais as famílias e seus filhos que estão desiludidos e sem perspectiva para o futuro e o resultado de tudo isso é a baixa qualidade de ensino e jovens e crianças envolvidos com o tráfico, se prostituindo e além da violência em Goiânia e no Estado. A equipe da chapa 3 entende que é compromisso deste sindicato, porque tudo passa pelo processo educacional. Todavia, a liderança sindical se preocupa em promover para conseguir cargos políticos, e para isto, usa o poder para difamar / insultar pessoas, deixando à margem o professor que enfrenta o desconforto e angustiante labuta da sala de aula. Os professores ficam desacreditados perante a família e a comunidade porque se veem rejeitados e desprovidos de respeito e valores éticos e morais por partes de seus representantes. É obrigado “rebolar” como pode para adequar esta frustração e transmitir otimismo ao aluno. Os professores estão numa brincadeira de esconde- esconde, de gato e rato. Uma disputa ferrenha - como livrar das garras que nos aprisionam há muitos anos, latrocinando uma categoria que luta para garantir o direito do aprendizado do aluno. Esta luta por respeito e dignidade nos faz lembrar uma das fábula de Monteiro Lobato em um de seus textos: “Assembleia dos ratos” os ratos reuniram para discutir uma maneira de livrar das garras do Faro Fino. Decidiram colocar um guiso em seu pescoço, pois quando o mesmo aproximasse, os ratos fugiam. Eis a questão! Quem vai colocar o guiso no pescoço do gato? E a Assembleia mingou. O professores estão como ratos que alimentam este gato, que enquanto trabalham para levantar a autoestima dos alunos e famílias, o rato fica astusciando medidas de violar os ideais e direitos de lutar por justiça e dignidade no trabalho. Cabe ao professor ter dignidade e ser respaldado: condições que os assegurem levar um ensino de qualidade às futuras gerações. A indagação é de toda sociedade: você quer dar este modelo de educação para seus filhos? Que modelo de política vai-se ensinar aos jovens? Não vai muito longe, como está a vida em Goiás?! João Paulo II, dirigindo aos jovens, orienta “cada um de vocês tem o seu sonho. Na perseverança, vocês deverão transformá-la em realidade”. Padre Zezinho, em uma de suas canções, completa, “Ninguém pode apagar um sonho e nem impedir alguém de sonhar”. Lamenta-se o que ocorre em nosso meio, como se ninguém um dia fosse jovem ou que tenha parente esperando por um futuro melhor! Aprende-se e ensina-se por meio de gestos simples e humildes, e o adulto serve de modelo para as crianças e jovens, e isto não se nega. Porém, o que vê é o modelo de destruição em massa das futuras gerações. Parece que, o que os profissionais veem na escola, faculdade e especialização só fica no diploma como status. Onde estão os valores que trouxeram dos pais? Será que o jovem envolve com o mal porque quer? Ou por que falta-lhe oportunidade? É sem dúvida, o fracasso provém de falta de perspectiva do jovem, e seu futuro está em nossas mãos, enfrentar esta “cultura da morte” e convencê-lo de que o “melhor” um dia virá. Eis outra grande questão: comer as migalhas que sobraram daqueles que lideram e ser obrigado, e ao mesmo tempo sofrendo, levar a dignidade à população. Estamos em nosso casulo como agulha, e puxando a linha e costurando as roupas dos príncipes e princesas a irem depois aproveitar com toda elegância nas noites de galas. (Machado de Assis) O que pais, alunos e comunidade ganham com isso? Entende-se que a educação deve ser discutida de forma bem mais ampla, de forma contundente, pois é um precioso tesouro que a traça não come e ninguém rouba das gerações vindouras. (José Pereira das Virgens, professor)

Nenhum comentário:

Postar um comentário