Este é o blog da editoria de opinião do jornal Diário da Manhã. Aqui, a sua opinião acerca dos assuntos e fatos da atualidade serão publicados. Seja bem-vindo!
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Mulheres ocupam mais espaço no campo
Por Wandell Seixas
Se as mulheres ampliaram a sua participação no trabalho urbano, o campo também registra essa tendência. A mulher parideira e prole numerosa tende também a reduzir essa ímpeto. A mulher vai tomando consciência da importância de uma família menor para puder educar os filhos em melhores condições. Mulher que toma a conta de casa, dos filhos e fica sem perspectiva. Apesar da concessão de bolsa família pelo governo constituir em estímulo à uma maior prole, a mulher está tomando consciência de que esse procedimento tentador é uma enganação. Vai “pagar o pato” mais tarde ou mais cedo do que se pensa.
Mesmo a Revolução Industrial manteve socialmente a mulher do campo praticamente intocada. A mulher urbana começou a romper a casca do ovo e a se manifestar publicamente. Com o decorrer dos anos, ela pode chegar ao topo nas grandes cidades. O êxodo rural no mundo globalizado e uma maior falta de apoio governamental ao campo provocam carência de mão-de-obra nas propriedades rurais.
A agricultura familiar, como sempre, vai sendo tocada pelo patriarca, a matriarca, os filhos e agregados. Na agricultura de escala e na pecuária de leite, onde não havia espaço para a mulher, atualmente elas ocupam 30% do que antes era ocupado pelos homens. E nenhum empregador reclama. Muito pelo contrário. Para o aperfeiçoamento dessa mão-de-obra, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem dado a sua importante contribuição.
Uma colheitadeira com tecnologia de ponta, que custa acima de R$1 milhão, pode ser encontrada nas plantações de soja, milho ou algodão nas regiões Sul e Sudoeste de Goiás. E conduzida por uma jovem recém-treinada pelo Senar. A máquina moderna dispõe de um sistema de direção bastante leve e de fácil manejo. Maior conforto e inclusive ar refrigerado para superar o calor.
Em Itaberaí, por exemplo, os produtores de leite optaram pela mão-de-obra feminina na área de limpeza da sala de ordenha. Entendem esses produtores que a mulher cuida mais da higiene que os homens, que, no caso itaberino, passam a atuar noutras áreas. É importante notar que o leite com alto padrão de qualidade exige uma higienização completa na propriedade rural. E a presença da mulher contribui para esse avanço.
A Organização Internacional do Trabalho, organismo vinculado às Nações Unidas, em recente documento, informa que as taxas de participação femininas vêm crescendo a um ritmo bastante superior às masculinas. Com efeito, a participação feminina no mercado de trabalho, que girava em torno de 57,0% em 1992, aumentou para 62,9% em 2004 e para 64,8% em 2009. Por outro lado, a participação masculina declinou, ao passar de cerca de 90,0% em 1992 para 86,8% em 2004, mantendo-se praticamente estável em 2009 (86,7%).
Como resultado dessas tendências opostas, acrescenta os estudos, “diminuiu o diferencial de participação entre homens e mulheres (de 24,0 pontos percentuais em 2004 para 21,9 pontos percentuais em 2009) e a taxa de participação total apresentou um pequeno crescimento, ao passar de aproximadamente 73,0% em 1992 para 74,4% em 2004 e 75,3% em 2009. Em decorrência da maior incorporação ao mercado de trabalho, as mulheres passaram a representar 44,5% da PEA nacional em 2009, contra 40,0% em 1992”.
Nas áreas urbanas, a taxa se expandiu de 73,3% para 74,9% entre 2004 e 2009, sendo que nas áreas classificadas como rurais reduziu-se de 80,6% para 77,8% durante o mesmo período. Entre as grandes regiões, observou-se expansão da taxa nas regiões Sudeste – de 2,1 pontos percentuais e no Centro-Oeste 1,5. Por outro lado, observou-se ligeiro declínio no Norte (-1,1 pontos percentuais) e Nordeste (-0,2 pontos percentuais.) e estabilidade na Região Sul. Em 2009, a taxa de participação variava de um mínimo de 72,4% no Nordeste até 78,7% no Sul do País, conforme os levantamentos oficiais.
Na área do campo, com certeza, crescerá a participação feminina, seguindo tendências mundiais. Mesmo porque, a mão-de-obra masculina está também cada vez mais escassa por outros fatores.
(Wandell Seixas é jornalista da área agropecuária, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, bolsista pela Histradut em Israel e autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário