terça-feira, 10 de junho de 2014

O Congresso na contramão da História

Por Josias Luiz Guimarães
Penso logo existo, pensando consoante se expressava Descartes, filósofo Francês, vivo, existindo posso, muito bem, emitir, fundado na liberdade, minha opinião: idéias, críticas, concordar ou discordar. O Congresso Nacional, maior corpo pensante do país, organismo colegiado, constituído pelo voto popular, com mais de cinco centenas de representantes, isto, na Câmara dos deputados, há, ainda o Senado Federal, para representar duzentos milhões de brasileiros; o dos Estados Unidos da América do Norte, inferior ao nosso, pouco mais de quatrocentos deputados, com dois Senadores por estado, aqui são três, para trezentos e vinte milhões de americanos, portanto, a nossa bancada é quase o dobro, senão o dobro da deles, no entanto, o ponto alto que quero focar é que, lá fizeram história, ao investirem em educação, mais do que isso, conhecimento, instrução qualidade, pesquisas, incentivaram o cidadão a poupar e a investir, criando, associado ao conhecimento, amor imenso a terra mãe, pátria, crença em si mesmo, como espectador engajado, na construção de seu próprio destino e, somando-se aos seus pares, a grandeza dos EEUU. Já o nosso Congresso mourejou pela velha república dos coronéis, radicando, sonegando educação, conhecimento à sociedade brasileira, desde o principio, muito mais inculta do que a de lá, mesmo quando Rui Barbosa defendia, lutava ardentemente, por uma educação, instrução de primeiro mundo aqui, o Congresso, de então, detendo a maior força política da Nação, fez ouvido mouco, ignorou o clamor do movimento, campanha civilista, perdeu, naquela conjuntura, o bonde da história, continuou a ignorar a sua força prodigiosa de organismo colegiado, de maior poder pensante organizado do país. Na época do “Muda Brasil”, transição de um governo autocrático por outro democrático, adveio a constituinte de 1988, com ela, adquiriu prestigio, força, com efeito, estabeleceu ele provando sua força, educação obrigatória para todos, poderia, tivesse naquela ocasião, colocado em vigor a sua vontade soberana, de mais alta corte, ter acrescido e estabelecido, peremptoriamente, educação qualidade, mais do que qualidade, Excelência em todas as unidades de ensino públicas e privadas do país. Era uma causa sobremodo altiva leitor, enlevada, exigia, a um só tempo, um corpo docente, bem mais douto, e melhor remunerado, do que o existente, e, resoluta mobilização nacional, na esteira dela, a mais autêntica das revoluções, a revolução pela cultura, promovendo impacto inusitado, levando luzes onde ainda persistia, imperavam trevas, trevas no saber sapiente, que o Congresso Nacional, no caso, incisivo, na condução de tamanha obra, missiva, poderia até ser apedrejado, ameaçado, como foi o insigne médico Osvaldo Cruz, ao promover a campanha contra a febre amarela, no Rio, começo do século XX; de igual modo, o padre Diogo Feijó, presidente da Regência Trina, conduziu o Império até a maioridade do Príncipe, sua ação, conduta austera, antipatizou-o, no entanto, perdeu a popularidade do momento, mas ganhou a admiração vindoura, ao consolida-lo, quando tramava sua volta a Corte Portuguesa. Ah! Dignificante, também, foi o exemplo de JK, tanto quanto ou mais ainda, do que essas outras insignes personalidades de nossa história, ao promover a construção de Brasília, no planalto central, e, por ilação, a marcha para oeste, rompendo com a civilização do caranguejo, litorânea, erigindo o verdadeiro eldorado da agricultura: soja, milho, imensos canaviais, pastagens luxuriantes, berço do Agronegócio. Com efeito, perderam eles, bem feitores da pátria, a simpatia das gerações passadas, para ganhar a admiração das gerações vindouras. Juscelino Kubistscheck foi satirizado pelo jornalista, Deputado Federal, a seguir, Governador, Carlos Lacerda, e gama de outras personalidades, ante mudancistas. A rodovia Brasília Belém, hoje, Br-153, foi apelidada de estrada para onças. Agora, com a constituição cidadã, alardeada pelo saudoso Ulisses Guimarães, como redentora de nossa gente, patina novamente, na contra mão da história, o Congresso Nacional, ao negar, a sociedade luz, luz, para espargir as trevas da ignorância política, política como a arte de ensinar a viver feliz, como enunciada por Aristóteles, seu inventor. Com efeito, escreveu ele, o primeiro tratado político do mundo, há mais de dois mil anos, século V, a.C, pois bem, ao ignorar completamente, no plano nacional de educação, aprovado recentemente por ele, Congresso, o ensino obrigatório, nas salas de aulas, de educação política, choca na contra mão da história. Para que eu aprenda, ler e escrever, a escola, ou alguém, no lugar dela, como antigamente, tem que me ensinar. A ignorância, no que diz respeito à palavra política é tamanha, inclusive seu desvirtuamento, que o livro de cabeceira, segundo entrevista, com grande número de deputados, senadores, feita, há algum tempo, por certa jornalista, era o Príncipe, obra prima de Maquiavel, escrita para aconselhar, orientar os governantes da época, principados, na era do absolutismo, oligarcas encastelados, anverso da democracia, ao passo que o livro eleito, para o momento atual, seria o tratado de política dele, Aristóteles, ou parte, como o tomo, Ética a Nicômaco. Ambas as palavras, Ética e Política, são inseparáveis, uma tem que estar de acordo, respeitar, respaldar, identificar-se com a outra, tanto nos negócios públicos como privados, contudo, no linguajar do Congresso, bem como, jargão popular, quase sempre, uma ignora a outra, a ética está mais distante da política, do que a terra do astro rei sol. A qualidade, desde muito, reclamada no ensino, carece, e bastante, da educação política, sua omissão no PNE, torna evidente, significa que, nos próximos dez anos, continuará “tudo dantes, como na corte de Abrantes”, ausente da instrução política, nas salas de aulas. Platão foi o criador, naquele tempo, do que veio a ser, na atual conjuntura, a primeira Universidade do mundo: “A Academia de Platão”, Sua alegoria da “Caverna”, onde, de repente, um ermitão escapa da sombra interior e passa ver a luz do sol, enxergar o mundo real, rompe o limiar das trevas, para a claridade, luz, isto, acontecerá leitor, com milhões de estudantes, de todas as idades, com a educação política, retirando-os da obscuridade, ignorância, para a luz, o conhecimento da política, como a arte de fazer a sociedade feliz, recriando aquela aula legendária, da saudosa professora Hiydê, de história geral, do liceu de Goiás, Vila boa, “de dar água na boca”, a primeira vivida pelo mundo, à Democracia Excelência da cidade estado de Atenas. Ao fazer vista grossa, a ela, pratica o Congresso, o anverso do que se passa na Caverna de Platão, prossegue pecando contra a sociedade eleitora que o elegeu, contratou-o, para bem servi-la: contrato social de Rousseau, filósofo mor do Iluminismo, que condicionou a República indireta, cria contra o criador, perde, ele, de forma escabrosa, o bonde da história. (Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-Go, produtor rural)

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