sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pra frente Brasil!

Por Natal Alves França Pereira
Acompanho e torço pela seleção brasileira de futebol desde a disputa e conquista do tri na copa de setenta no México, na época, provavelmente vivíamos a fase mais “braba” da ditadura, e muitos defendiam a ideia de torcer contra a seleção, porque a conquista do tricampeonato poderia ser capitalizada pelo governo e a ditadura se tornar mais popular. Antes de iniciar a competição surgiu um clima de “tomara que perca”; mas, quando começou a competição o povo se uniu, coloriu o país de verde-amarelo, éramos noventa milhões em ação gritando “pra frente Brasil”, a seleção jogou muito bem, venceu e a população vibrou a cada partida e vitória que culminou na grande conquista do título. Agora a copa é no Brasil, certamente a única durante a minha existência. Insatisfeitos com as atuações e o imperialismo da FIFA conquistando lucros bilionários a essa instituição que manipula o futebol e o transforma simplesmente num grande e lucrativo negócio, bem como, não concordando com os demasiados gastos para a realização do evento enquanto os recursos para os atendimentos básicos da população são escassos, surgiu uma campanha contra a sua realização nesse momento no nosso país. Não podemos simplesmente querer impedir a realização do maior evento esportivo do mundo, precisamos mesmo é pedir a criminalização de todos os que se locupletam corruptamente em função da Copa, permitir e colaborar para que ela se realize normalmente. Embora continue excomungando a FIFA, a CBF, os desvios de dinheiro que poderia ser usado para educação, saúde, transporte etc., penso que é melhor torcer para que a seleção jogue bonito e vença. A Copa é só um torneio esportivo. Trata-se, no entanto, do mais popular, no qual nossos atletas são mundialmente respeitados e reconhecidos protagonistas. Sendo realizado no Brasil, naturalmente, seremos vistos pelo mundo inteiro através das lentes da imprensa internacional. Preocupa o surgimento de uma onda de rancor, quando não de fascismo puro, em plena democracia. É bem verdade que a sociedade, mais consciente, não vai se esquecer do drama cotidiano da população, sobre tudo dos mais carentes, dentro dos ônibus, cercados pelo medo da violência que assola o País, assustados com a possibilidade de precisar da saúde pública, ou apavorados com o escárnio diário refletido nas notícias malcheirosas da roubalheira generalizada e impune. Já vai começar a copa e o que mais tem me chamado a atenção é a ameaça de violência, o oportunismo de atrelar ao contexto do evento toda e qualquer reivindicação, a maior parte muito legítima, outras nem de longe, e, descaradamente atreladas às conveniências eleitorais, contudo, é bom cuidar melhor da nossa imagem internacional, creio que devemos aproveitar bem a oportunidade de nos mostrarmos educados e receptivos. Não gostaria de ver o meu Brasil famoso apenas pelo futebol, samba e carnaval ou pior ainda, como o país do sexo fácil, da roubalheira e da insegurança. O fato é que nenhum mau político deixará de ser reconhecido como pilantra e incompetente se o Brasil ganhar, bem como, nenhum dos decentes e comprometidos com a população mudará sua postura se o Brasil perder. Pretendo ser mais um elo nessa “corrente pra frente” e deixar aflorar esse sentimento de torcedor que brota de dentro pra fora. Sem dúvidas, o coração vai pulsar mais forte durante a execução do “Hino Nacional”, nessa hora estarei entrando em campo com os atletas que nos representam. Não vou torcer somente pelos jogadores selecionados, quero manter a mesma intensidade e euforia na torcida pelo meu país e pelo povo brasileiro. Minha torcida vai ser, também, para que não ocorram mortes antes, durante e após as partidas, não somente nos estádios, mas também nas periferias onde quem não tem acesso ao palco do espetáculo ficará amontoado com outros tantos; para que os hospitais atendam com qualidade, para que o transporte público funcione, para que a energia não acabe, para que tenhamos escolas, trabalho e moradia para todos e não haja fome. Torço para que o sentimento cívico de amor à pátria seja sempre mantido, inclusive durante as eleições. Quero poder aplaudir muito aos que promovem a ordem e progresso, conforme a letra do nosso Hino Nacional. Talvez você não queira fazer o mesmo, mas, eu vou torcer sempre pela seleção e pelo meu país. Espero ser bem representado durante essa competição, dentro e fora dos campos de jogos. Que se faça um bom trabalho: Pra frente Brasil! Salve a seleção e toda a nação brasileira! (Natal Alves França Pereira, servidor público, formado em Ciências Contábeis, filiado à Associação Goiana de Imprensa)

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