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terça-feira, 3 de junho de 2014
A culpa é do estado!
Por André Luís
Alguns têm o poder nas mãos para resolver e sabem exatamente o que precisa ser feito.
A falta de perspectiva, a falta de esperança e o abandono geram o imediatismo.
A degradação e desorientação social não são problemas atuais.
Desde a antiga Suméria, na Mesopotâmia e da Babilônia, desde o fabuloso Império Egípcio, desde as primeiras civilizações do espetacular povo chinês, os místicos indianos, os gloriosos impérios africanos e os lendários impérios indígenas nas Américas, em todas as aglomerações humanas, que se convencionou chamar de “civilização” sempre existiram classes sociais e diferenças sociais gritantes.
Pela primeira vez na história da humanidade é real e plausível a oportunidade de acabar com esse problema.
Quando nasce mais uma criança, filha de moradores de rua, que vai ser criada embaixo da ponte as pessoas viram o rosto, ignoram, fazem pouco caso e pensam: “está aí porque mereceu: alguma coisa de errado aprontou para estar morando nessas condições embaixo da ponte!”
Quando nasce mais um “pretinho favelado” a sociedade já o batiza e o marca para sempre como criminoso, ou pelo menos alguém perigoso.
As famílias em classe social vulnerável não têm acesso à educação. Não têm acesso à cultura. Não têm acesso ao esporte. Não têm acesso à saúde. Não têm acesso à segurança-pública. Não tem acesso à nada porque os tentáculos do poder estatal não se interessam em ajudar quem vive numa favela. O favelado sai com as roupinhas lavadas, mas amarrotadas, desbotadas e desgastadas para procurar um emprego e já é obrigado a pisar no esgoto enlameado e sujo de bosta para chegar à cidade grande, chegando à entrevista de emprego com uma aparência de morador de rua bem arrumado e com o “pé de toddy” sujo por ter sido obrigado a pisar na merda para chegar à cidade grande.
O entrevistador pergunta onde ele mora. “Senhor eu moro há 20 anos na favela Sepultura do Capeta, no segundo beco depois do ponto final do ônibus que vem do centro, no terceiro barraco do lado esquerdo, subindo.”
O entrevistador pergunta onde ele já trabalhou.
“Senhor, ninguém nunca me deu oportunidade. Crio meus 3 filhos fazendo bico. Hoje eu consegui com meus amigos no bar uns trocados emprestado pra pagar a passagem de ônibus e vir aqui falar com o senhor.”
O entrevistador pergunta o que ele sabe fazer profissionalmente.
“Senhor, eu faço qualquer coisa que o senhor mandar aí, qualquer serviço.”
Resumo? São famílias sem estrutura, que transmitem a pequena herança cultural, moral, intelectual, psicológica, emocional e social aos filhos, que vão perpetuando a casta condenada a viver por gerações na miséria, como vem acontecendo há milênios.
Os rapazes vão enveredar pelo mundo das drogas e do crime e uma boa parcela decide seguir carreira no mundo do crime, por já ter a índole maligna e ainda não ter nenhum incentivo do estado para levar uma vida honesta. As meninas vão de mini-saia e sem calcinha para o baile funk se esfregar nos rapazes e engravidam sem saber nem quem é o pai da criança. Os pais desses adolescentes não têm preparo moral para convencer seus filhos com mais de 10 ou 12 anos a ficarem em casa e estudarem e eles acabam indo para a “moeção” nas baladas, nas “bocas de fumo” e nos becos “inflamados” da favela.
Dessa forma a herança maligna vai se perpetuando e o resto da sociedade continua virando as costas para as classes mais baixas.
O estado é o principal responsável por essa desgraça social, na medida que pode mudar a grade curricular de ensino e passar a ensinar coisas que realmente tenham valor prático, como finanças pessoais, planejamento familiar, educação sexual, princípios morais universais, convívio social, equilíbrio e controle emocional, habilidades empreendedoras, modelos familiares harmoniosos, planejamento pessoal, estratégias para o futuro profissional, enfim, o estado têm o poder de mudar isso através da educação. Por isso, por omissão, abandono e descaso, a máquina administrativa estatal é a maior responsável pela destruição social que assola a humanidade há milênios. Quem quer faz, quem não quer arruma desculpas para não fazer.
(André Luís Neto da Silva Menezes, pseudônimo: Tiranossaurus Rex – publicitário, inventor, filósofo, músico e vice-presidente da Associação Canedense de Imprensa - advertisingpropaganda@gmail.com)
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