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segunda-feira, 9 de junho de 2014
Como um homem abusa, usa, trai e joga no lixo
Por Daniel Antônio de Oliveira
Conheço o Iris Rezende desde a campanha de Prefeito de 1965, um ano depois do golpe militar que transformou o nosso país em uma pátria de torturadores e torturados.
As eleições ainda eram pelo voto direto, o Iris candidato a Prefeito de Goiânia, o Peixoto da Silveira candidato a Governador do Estado, ambos pelo antigo PSD.
O Iris foi eleito o Peixoto perdeu para o jovem engenheiro Otávio Lages de Siqueira, um quase desconhecido.
O Peixoto um antigo militante ludoviquista, velho pessedista, homem muito culto, de fino trato, foi ao Peixoto e ao Iris que dei o meu primeiro voto, pois na eleição anterior eu estava servindo o Exército e não votava.
O comando da campanha era exercido por vários companheiros seguidores do Iris e do Peixoto, dentre eles me lembro do Perceu Matias, Zé Martins, Valtrudes Cunha, João Divino Dorneles, Valteno Cunha e outros, todos campineiros como o próprio Iris Rezende.
Eleito, o Iris fazia uma administração muito popular, bem avaliada pela população, incomodava os adversários, então ocorreu uma denúncia envolvendo membros do seu governo e o próprio Iris. Era ditadura, não havia direito de defesa, para se safar o Iris assinou um decreto de prisão administrativa contra seus auxiliares.
Essa denúncia virou escândalo na impressa, nenhum deles teve direito de defesa. O Iris foi cassado, seus auxiliares cujas prisões foram decretadas pelo próprio Iris, que covardemente os abandonou, foi assim que eles descobriram que seu chefe não lhes tinha qualquer solidariedade. O Iris ferrou com muita gente.
Em 74, o Iris ainda cassado, foi para a campanha de um deputado da ARENA em pagamento a favores, traindo assim a sua própria conduta política.
Em 1974, o MDB elegeu o Senador Lázaro Barbosa e o Juarez Bernardes teve 81 mil votos para Deputado Federal, tendo sido o mais votado em toda a história de Goiás até aquela ocasião, mas de 10% dos votos dos goianos.
Em 1978, houve eleições para Deputados e Senadores, o governo era nomeado pela ditadura, mas já se viam sinais claros de abertura, os nomes fortes para Governador eram o Santilo e o Juarez, bom de voto, grande caráter, professor universitário, engenheiro e o Iris, os bons ventos já diziam das eleições próximas para Governador, como realmente veio acontecer em 1982.
Todo mundo sabia que o Santilo teria uma expressiva votação para o Senado em 1978 e se fosse candidato no MDB, candidato único seria eleito naturalmente com mais de 1 milhão de votos. O Iris vendo esse perigo para não permiti-lo usou do seguinte esquema: chamou o Juarez que vinha para a reeleição, com possibilidade de mais votos do que os 81 mil de 1974 e o constrangeu a desistir de se reeleger Deputado para dividir os votos do Senado e não permitir que o Santilo saísse tão fortalecido, queimando inclusive o Juarez que também tinha o seu nome cogitado para Governador, era bom de voto, como já disse, preparado, decente e culto. Nesse momento abateu um, o Santilo, e derrubou outro, o Juarez.
O Santilo levou o Senado e o Juarez ficou no mato sem cachorro, voltou para a faculdade e nunca mais se recuperou politicamente.
Vieram as eleições de 82, direta para Governador, o Santilo já Senador desde 1978, pleiteava a candidatura a Governador, e o Iris que voltava da cassação, com força de vítima e por isso com grande apoio partidário e popular também candidato a Governador.
O ex-governador Mauro Borges que também voltava de uma cassação, candidato ao Senado, fortíssimo candidato, reconhecidamente imbatível.
O Lázaro Barbosa que havia sido eleito em 1974, em 1982 estava concluindo o seu mandato e poderia ser candidato à reeleição, mas sabia que não tinha chance com o ex-governador Mauro Borges, em razão disso apresentou-se novamente já como candidato a Deputado Federal, com amplas chances de se eleger Deputado.
Novamente a mão do Iris sorrateiramente funcionou, chamou o Lázaro e o obrigou a ser candidato contra o Mauro, o Lázaro teve 360 mil votos, mas perdeu o Senado e o mandato. O Mauro Borges teve 700 mil votos, tendo sido eleito Senador e o nosso herói teve 1 milhão de votos. Ao Iris toda honra e toda glória.
O ex-governador Mauro Borges eleito Senador foi para Brasília, só que em 1984 ocorreram eleições para Presidente da República e o Tancredo Neves foi o escolhido no Colégio Eleitoral, tendo o Sarney como o seu vice. O Iris já Governador de Goiás desde 1982. Era o MDB ou PMDB no poder, o Tancredo antes de assumir a Presidência morreu, o vice-presidente o Sarney do PFL, se filia ao MDB ou PMDB e assume o mandato de Presidente. No governo federal como sinal de gratidão aos Ludovicos, Pedro e Mauro, convida o nosso Senador goiano Mauro Borges para assumir o Governo de Brasília, que ainda era nomeado. Brasília nesta ocasião ainda não tinha autonomia política, não havia eleições. O Senador Mauro que era e sempre foi de caráter muito decente, disse ao Presidente que estava muito feliz com a lembrança do seu nome em razão da justiça ao seu pai, aceitava assumir o referido cargo, mas pedia ao Presidente para ligar ao Governador de Goiás o Iris para que ele pudesse chegar em Brasília pelas mãos do nosso líder. Entendia o Mauro que isto daria mais legitimidade política à sua indicação. O Presidente da República ligou para o Iris e narrou ao Iris que estava dando o Governo do DF para o Senador Mauro Borges. O Iris disse ao Presidente que Goiás não precisava do DF precisava de um Ministério era o que ele reivindicava. O Presidente da República disse que daria ao Iris o Ministério da Agricultura, mas que ele próprio assumisse, renunciando ao Governo de Goiás, que no meio do mandato foi entregue ao vice-governador Onofre Quinan. Na verdade, o Iris nunca concluiu um mandato dele.
Nesse momento Brasília acabava de perder o mais digno, honesto Governador de sua história, o Iris acabava de depor o Mauro, abrindo espaço para um senhor qualquer de nome Oliveira, e para o famigerado Joaquim Roriz.
Outros fatos sobre o Iris: o triste dia que o Iris assinou a ficha de filiação do Darci Acorsi no PMDB, pobre Darci se fudeu. O dia que o idiota do Vanderlan se filiou no PMDB com o aval do Iris para candidatar a Governador, se fudeu. O dia que o senhor dos bifes com o aval do Iris se filiou ao PMDB para ser candidato a Governador, bifão de carne dura, carne de pescoço, o Iris não conseguiu fritá-lo, foi cozinhando-o com pouco fogo, por fim a carne encroou e o Iris jogou no lixo, mas sempre na manha, a sorrelfa. Eles só viram o facão quando ele veio das costas e vazou no peito. Sentar no colo do Iris é melhor sentar no colo do capeta. Se eu cometi algum engano, exagerei nos fatos, disse palavras inconvenientes, deposite-as na minha indignação, tenho-as guardado dentro de mim por quase 30 anos, mas aceito correção, críticas, desde que elas não sejam feitas por algum capacho ou assecla do Iris.
Em tempo: lembra do Maguito, pois é, também ele teve o tapete puxado o seu vingador foi o seu melhor amigo e seu melhor adversário, o Governador Marconi Perilo.
Esses caras que se filiaram no PMDB pensando ser Governador, não entendem nada de política, são tolinhos, estou falando do Friboi e do Vanderlan, não veem eles que no PMDB tem o Iris, ainda tem mais uns 10 nomes em melhores condições do que esses novos filiados, inclusive o Maguito que neste momento se fosse candidato no lugar do Iris estaria certamente muito melhor colocado em todas as pesquisas, em todos os quadrantes do Estado de Goiás, em todas as faixas etárias.
Tem gente que não se enxerga.
(Daniel Antônio de Oliveira, ex-prefeito, ex-vereador, ex-deputado, ex-presidente da câmara)
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