terça-feira, 10 de junho de 2014

Instituto Federal Goiano em Catalão: educação de “muro baixo”!

Por Gabriel de Melo Neto
No último dia 30 de maio no auditório do Fórum de Justiça da cidade de Catalão, centenas de pessoas prestigiaram a cerimônia de inauguração do Câmpus Avançado do IF Goiano (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano). Estudantes, familiares, professores, servidores e representantes de entidades de diferentes setores da sociedade civil e do poder público, nas esferas municipal, estadual e federal se fizeram presentes. O reconhecimento da importância da instalação desta instituição no município foi feita de forma enfática ao longo do evento, oradores destacaram a relevância de uma unidade de ensino federal e pública para uma educação de qualidade, gratuita e democrática, colaborando para o desenvolvimento econômico com sustentabilidade socioambiental, não apenas na cidade, mas em toda região. É importante destacar que mesmo com as potencialidades econômicas e sociais, Catalão não contatava ainda com a presença física de uma unidade da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, uma vez que esta é uma cidade que possui o 5º PIB do estado de Goiás, a 7ª arrecadação per capita, uma intensa e diversificada exploração mineral, tendo por exemplo, a segunda maior mina em atividade no mundo, do cobiçado minério Nióbio – juntamente com o vizinho município de Ouvidor – além de possuir montadoras de veículos de passeio, utilitários e máquinas agrícolas, sem ignorar as atividades agropecuárias e de serviços, com um forte comércio e a presença de órgãos públicos, bancos, concessionárias, financeiras e a oferta de serviços médico-hospitalares que conferem a condição de polo regional, sendo por isso, referência para inúmeras cidades do sudeste goiano. Assim, a instalação do IF Goiano representa, sobretudo, um ato de justiça com a população local, coroando o esforço de inúmeras pessoas da sociedade, mas principalmente daquelas vinculadas a própria instituição que não mediram esforços para esse inquestionável feito. Ao longo dos anos de 1990 sob as orientações das teses neoliberais, o discurso do Estado mínimo acarretou graves consequências ao patrimônio nacional, através da privatização de empresas estratégicas para economia brasileira, a um preço irrelevante, além do sucateamento de órgãos públicos como as Instituições de Ensino Federal. Nesse período nefasto para a educação, se quer uma única universidade pública federal foi criada e graças a uma lei sancionada pelo presidente da república da época, foi praticamente suspensa a instalação de novas instituições de ensino técnico federal, sem ignorar a falta de investimentos em infraestrutura e em assistência estudantil, a ausência de concursos públicos e o congelamento dos salários dos servidores. Felizmente esse panorama modificou-se sensivelmente nos últimos anos, com a criação de novas universidades federais e a constituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica por meio da reorganização das EFTs e CEFETs (Escolas Técnicas Federais – Centros Federais de Educação Tecnológica) e outras instituições de ensino congêneres, estabelecendo atualmente uma rede formada por 41 instituições. É praticamente impossível visitar hoje uma universidade ou instituto federal e não ver em andamento uma obra de ampliação, reforma ou de novas instalações em andamento, além de constatar a presença de estudantes, servidores e professores de diferentes origens socioeconômicas e de distintas partes do país que estão dentro dessas instituições graças aos inúmeros concursos públicos – que foram praticamente suspensos durante os anos de 1990 – e devido as políticas de ampliação do acesso e de permanência no ensino público federal, através de programas como o SISU, SISUTEC e PRONATEC. Alguns podem afirmar que exaltar os investimentos nas Universidades e Institutos Federais dos últimos anos trata-se de uma mera propaganda partidária, baseada em argumentos infundados, no entanto as informações e dados concretos mostram o contrário, afinal, como ignorar a criação de 18 novas universidades, dezenas de campi, centenas de novos cursos, a abertura de milhares de vagas, a instituição de 38 Institutos federais com a oferta de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), técnicos e superiores em unidades espalhadas em centenas de municípios brasileiros? Todavia, ressaltamos que sem sombra de dúvidas há muito que melhorar, sobretudo na valorização dos professores e servidores, na garantia de infraestrutura e assistência estudantil entre outros investimentos para uma educação pública, gratuita e de qualidade, porém, desprezar os investimentos federais que ocorreram na última década é fechar os olhos e tapar os ouvidos para uma realidade presente na vida de milhões de famílias brasileiras. Esperamos que através da aprovação final do PNE (Plano Nacional de Educação) que prevê a aplicação de 10% do PIB nacional na educação, juntamente com os recursos da exploração do petróleo no pré-sal, aliada a uma gestão responsável do dinheiro público, com o efetivo controle social e ampla participação popular, garantam os investimentos necessários para o desenvolvimento econômico acompanhado do respeito ao meio ambiente e a qualidade de vida da sociedade, com ampla distribuição de renda. Desta forma, foi feliz a colocação do reitor do IF Goiano professor Vicente Pereira de Almeida na inauguração do Câmpus Avançado de Catalão, quando afirmou a necessidade das instituições de ensino terem cada vez mais, os “muros baixos”, para permitir o ingresso da maior parte da população brasileira que historicamente foi excluída do acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade, para assim, transformarem as suas vidas e consequente o país. (Gabriel de Melo Neto, mestre em Geografia pela UFG/Catalão, professor efetivo da rede estadual em Goiás e presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) SEção Catalão)

Nenhum comentário:

Postar um comentário