terça-feira, 3 de junho de 2014

Um cruzeiro verdinho de papel, a nota verdinha que fez parte da minha infância

Por Giovani Ribeiro Alves
Um cruzeiro verdinho de papel, minha infância pobre, quitute no almoço, salsichas Wilson na janta. Um cruzeiro verdinho de papel, cheirando a suor, o preferido das crianças. Um Cruzeiro verdinho de papel, nossa riqueza infantil, balas Apache, balas Nilva, Suspiro, Maria-mole, pirulito do zorro, pipoca com balão, laranjinha da esquina, picolé de creme holandês. Um cruzeiro verdinho de papel ,com ele comprava a liberdade da rua, o grito no escuro, a bola no chão, a finca na lama, a pipa no céu, a bola de gude, a corre cotia, a salve cadeia, a barra manteiga, caindo no poço, assustando com a careta de mamão. Um cruzeiro verdinho de papel, nossos pais tão pobre, nossa liberdade tão rica, de pés no chão, banhando no córrego. Um Cruzeiro verdinho de papel, qual quarentão de hoje que dele não se lembra. Um Cruzeiro, um montão de guloseimas, um sonho de infância, uma televisão preto e branco, um fogão Dako, uma Conga nos pés, O Kichute fedendo a chulé, uma jarra de água, no formato de um abacaxi. Um cruzeiro verdinho de papel, transformado em papel, transformado em real, triste sonho. (Giovani Ribeiro Alves, filósofo, escritor, professor, articulista do Diário da Manhã)

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