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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Resíduos sólidos: desafio para municípios brasileiros
Por João Nascimento
O manejo de resíduos sólidos e a implantação da coleta seletiva podem gerar bons resultados para os municípios e a qualidade de vida de sua população, mas este ainda é um desafio para os gestores municipais em todo o Brasil. Este tem sido o principal ponto discutido durante reuniões políticas e eventos promovidos por entidades municipalistas, ao exemplo da mesa sobre Manejo de Resíduos e Logística Reversa: oportunidade para inclusão social dos catadores, realizada recentemente, durante o I Encontro dos Municípios com Desenvolvimento Sustentável, em Brasília.
De acordo com o coordenador da mesa e prefeito de Paranaguá, José Baka Filho, entre os desafios enfrentados pelos gestores locais para implantação de do Plano Municipal de Resíduos Sólidos está a articulação entre estados e municípios. “Além dos problemas de ordem ambiental, lidamos também com os problemas políticos para fazer a implantação destas ações”, resumiu Baka.
Para a presidente da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente e prefeita de Mesquita (RJ), Katia Perobelli, a coleta solidária deve ser concebida como uma política pública capaz de envolver diversos parceiros. Ela destacou que em seu município este foi um passo essencial para unir a inclusão social e a questão ambiental. “É um programa de inclusão social e renda para os catadores, é geração de renda e cidadania”, frisou.
A discussão também contou com a participação do diretor de Resíduos Sólidos do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silverio Costa, que apresentou detalhes da política nacional de resíduos sólidos, criada em 2010. Segundo ele, todo o país deverá fazer um grande esforço para cumprir com as metas da política que prevê, entre outras coisas, o fim dos lixões até 2014. Ele destacou a importância dos municípios em prepararem os seus planos de resíduos. “O município tem que ter os planos para ter acesso aos recursos federais para gerenciamento de resíduos sólidos”, explicou Costa. Ele destacou ainda que a lei abriu a possibilidade para que sejam feitos planos intermunicipais o que permite aos gestores organizarem iniciativas regionais, aproveitando melhor os recursos entre os municípios próximos.
Já a gerente executiva de Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil, Maria Inês Bonanese, apresentou os mecanismos do banco público para financiar os municípios na busca de recursos para implantar um plano de resíduos sólidos. “Elaboramos um kit que está disponível em nosso site com indicações sobre os caminhos e fontes de financiamento”, afirmou Bonanese, destacando que a intenção é facilitar o trabalho dos prefeitos. Atualmente o Banco do Brasil conta com 315 planos de negociação com municípios nesta área.
Um dos desafios a ser enfrentado na implantação de soluções para os resíduos sólidos é o financiamento do sistema. Isto foi o que destacou o diretor executivo da Associação das Empresas Brasileiras de Limpeza Pública, Carlos Roberto Vieira Filho. Ele lembrou que apesar de ser um ponto delicado da norma, a cobrança pelo serviço de coleta pública é legítimo e precisará ser feito para que o serviço seja sustentável financeiramente. “Não vamos avançar se não tivermos implementada a cobrança do serviço que é um serviço público como outro qualquer, seja fornecimento de água ou energia”, enfatizou Carlos.
Durante o evento o Ministério do Meio Ambiente também realizou o lançamento do manual destinado aos prefeitos para orientar sobre a criação e implementação do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos. A publicação está sendo distribuída pelo ministério, inclusive se acha disponível no site: www.mma.gov.br
(João Nascimento, jornalista)
Imposto Único a única solução para evitar a brutal sonegação de 200 bilhões anunciada na imprensa
Por Osvaldo Batista
Sociedade e as classes empresariais reclamam constantemente da carga tributaria que é adotada no País, Brasil.
Há uma razão muito simples para explicar essa carga tributária realmente grandiosa, exatamente porque as situações geradoras de tributos são concentradas em certos fatores e setores não havendo uma distribuição igualitária das obrigações tributárias.
Há muitos benefícios de concessão de impostos que reduz o campo da criação de obrigações tributárias, e isso faz com que o governo cada vez mais vai exigindo mais tributos da sociedade.
O sistema tributário constitucional brasileiro não reflete o potencial que poderia ter, oriundo das atividades diversas, mas, por essa razão vai se criando impostos e contribuições que acumulados torna a carga tributária insustentável.
É muito fácil entender que o governo, seja da União ou dos Estados, planejam as despesas e em face delas começa a arrochar a exigência de obrigações tributárias.
Volto a dizer que a responsabilidade por isso é do sistema plural de tributação existente no Brasil, são tantos impostos e contribuições que perturbam a consciência da sociedade e acarretam a elevação da carga tributária, consequentemente, o custo dos bens disponíveis.
É verdade que a sonegação de tributos, aliás em grande escala, mas não posso deixar de mencionar que o imposto mais injusto que existe e o imposto de renda pessoa física.
Esse tributo onera as pessoas físicas de forma brutal e ate mesmo inconstitucional, que retira do salario do trabalhador 27,5% do seu valor.
Pela emenda constitucional nº 41 foi criado uma contribuição previdenciária de 11% que aqui em goiás foi elevada para 13,5%, por ato deste governador inconsequente.
Sintetizando essa situação é necessário fazer a seguinte conta, 27,5% com 11% soma-se 38,5%, que é retirado do trabalhador, restando-lhe só quase a metade do seu salário.
A diversidade de impostos diretos e indiretos que ainda atingem o trabalhador o leva a uma situação financeira desprezível, consequentemente, reduzindo o seu poder aquisitivo, o que influi no chamado PIB, tão falado pelo ministro da fazenda.
Em razão dessa quantidade de tributos e a desigualdade de alcance da população desses tributos faz com que surja a sonegação, até mesmo como um método incontestável para não sucumbir-se diante da diminuição do seu capital financeiro.
Mas existe uma solução para tudo isto, que eu não entendo porque os dirigentes de nosso país não entendem a necessidade de extinguir todos esses impostos e contribuições e criar o imposto único.
O imposto único ele faz submeter-se a tributação até mesmo as finanças clandestinas, lavagem de dinheiro, caixa 2 e tudo mais que circulam de forma indevida, porque, passando pelos bancos a alíquota prevista incidirá automaticamente.
Acredito que uma alíquota de 6% em todas operações financeiras bancarias, além de tornar mais leve a tributação alimentará tanto o poder constituído federal e estadual dos recursos necessários para o desenvolvimento do País e dos Estados.
No caso do servidor publico e privado que recebem salario, essa alternativa de sistema tributário traz uma redução grandiosa no seu dispêndio com obrigações tributarias.
De 38,5% do seu salário o trabalhador passará a recolher aos cofres públicos apenas 6%.
O não pensamento sobre essa mudança é porque ela deve atingir interesses políticos e comerciais que ficariam sem poder sonegar aquilo que deve.
A tributação brasileira virou uma brincadeira, as empresas e a população em geral, além do ICMS estão sujeitos ao IPVA, ao imposto de renda, ao COFINS, ao PIS, além da tributação da produção.
Essa situação, sem duvida, acarreta realmente uma carga tributaria irresistível o que leva a surgir de forma impetuosa a sonegação para fugir da possibilidade de não suportar tamanha carga tributaria.
Muitos políticos pregam o imposto único, mas jamais passou pela cabeça dos dirigentes nacionais notadamente no setor financeiro que deveriam, pelo menos, fazer um levantamento para verificar que a circulação de dinheiro nos bancos é bastante elevada e não conforma com os valores arrecadados.
Não há como negar que 6% no imposto único financeiro trará uma arrecadação superior 3 vezes ao que arrecada a união os estados e os municípios.
A grande vantagem do imposto único e que ele alcança a toda sociedade de um modo geral e equânime, portanto, dividida a responsabilidade tributária a todos brasileiros e com isso desaparecendo a carga tributária insuportável.
Gostaria de saber porque o poder executivo do país ainda não pensou nessa formula, o que me leva a crer, de forma sincera e que esse sistema do imposto único evita a sonegação e consequentemente abala interesses escusos.
Presidente Dilma, pense nisso, manda fazer os respectivos levantamentos que verá que é essa a solução para nosso país.
(Osvaldo da Silva Batista, advogado e professor universitário)
Momentos de reflexões de algumas vida!
Por Lucas Pimentel
Como um poeta, poderia descrever uma natural poesia, se a nossa realidade que ele vê, é a nossa natureza em chamas, os animais em alvoroço, fugindo dos predadores, os pássaros sobrevoando poucas árvores, querendo pousar, enxerga um ninho com filhotes famintos, um córrego com peixes boiando nas águas poluídas; redes de arrasto aniquilando a vida! Que paisagens bizarras!
Andar pela cidade, vendo pedintes maltrapilhos, mães anêmicas, com filhos doentes; mãos estendidas por moedas ou migalhas; jovens desmaiados por drogas; bailes de ostentações... desperdícios; pessoas com fome! É relatar fatalidades e celebrar fracassos da nossa realidade.
Ver idosos jogados em asilos ou em corredores de hospitais, sendo maltratados e á míngua e emudecidos pelo abandono! Quando alguém resolve perguntar o porquê dessas situações, somente se ouve afirmativas melancólicas e lembranças nostálgicas que não voltam mais. E assim, as lágrimas descem, os olhares vão ao longe, e nota-se que o pensamento voa para o passado, que às vezes foi bom, mas os revezes neste mundo midiático, e de misérias da razão e de pregadores de mentiras; e assim, tenta esquecer suas atuais desventuras...
Que infelicidade é a de muita gente, que tenta dormir com tantas preocupações desesperadas, por filhos e netos e de outros assuntos divergentes, e com tantos perigos de assaltos com torturas, crimes premeditados, arapucas de sádicos, acidentes e doenças. É dormir cheio de aflição, e acordar na contradição da esperança. Que tristeza!
As liberdades de escolhas que tivemos, ao abraçar determinado projeto, que parecia bom, mas no entanto, demonstrou em pouco tempo, as falhas pelos nossos enganos; iniciativas de impulso, ou fatalidades do nosso karma! É um brinde ao vendaval dum sentimento perdido!
Às vezes a gente capta, uma insidiosa melancolia, das futilidades das relações virtuais, permeando a vida, num indiferentismo quase cínico, que revela numa desumanidade, que arrasa o calor humano. Porém, o brilho dos olhos e sorrisos verdadeiros de alguns dos nossos semelhantes, sobrepujam com certeza, as displicências dos demais, dessa legião mundana.
Vivemos e sofremos todas as iniquidades, do nosso moroso tempo, e agora é a hora das mudanças, para excluir os maus do nosso convívio, e tentar viver e evoluir, com mais serenidade, neste ciclo novo, que já iniciou.
As poucos alegrias, que fluem espontaneamente do nosso íntimo, e elas não são mais amplas, em conseqüência das opressões que recaem sobre todos nós, pelos maus e poderosos conspiradores corruptos, e de mentes assassinas, além dos traficantes que estão anulando a beleza da nossa juventude, com as drogas! Se fossem extirpados esses males dos nossos meios, certamente, tudo iria florescer e os nossos sorrisos voltariam...
Existem alguns recantos da nossa terra, com algumas pessoas por aqui e por lá, que estão realizando atividades nobres e restauradoras de áreas devastadas, em oasis de vida, que abrem muitos sorrisos, ao reflorestar com árvores nativas e intercalando outras espécies e recuperando animais maltratados por alguns retrógrados. Nossos parabéns!
Nossa humanidade necessita com urgência, voltar a ouvir o som e maravilhar-se com o borbulhar de águas de um córrego límpido, sem poluições e observar a vida em evolução...
Quero parabenizar o meu ilustre amigo, Geólogo João José, que recebeu merecidamente o prêmio Altamiro Moura Pacheco, a Comenda Araguaia/2014, e que está trabalhando para valorizar as nossas riquezas minerais e a biodiversidade do nosso Brasil!
(Lucas Pimentel, advogado, kardecista - Email: lucaspimentel515@gmail.com)
Redes Sociais e a felicidade
Por Dominique Magalhães
Vivemos em um mundo tecnologicamente avançado, onde se tornou comum a exposição de particularidades: fotos, vídeos, notícias e estados de espírito. Nesta onda de compartilhamento, boa parte de nós já teve a sensação de que a “grama do vizinho é sempre mais verde”.
Entretanto é preciso lembrar que é comum nos deixarmos influenciar pela ideia de que ser feliz é morar no bairro mais caro, ter o carro do ano ou ter a ‘vida perfeita’ de uma atriz de novela. A verdade é que ser feliz tem a ver com a construção de um modo particular de enxergarmos as coisas e de sentirmos a vida, evitando comparações com a trajetória alheia.
A exposição digital não pode nos afastar do ‘olho no olho’, ou do simples ‘olhar pela janela’. Todos os exageros nos impedem do contato e da oportunidade de nos olharmos e nos reinventarmos a cada dia através do outro.
Um estudo divulgado no ano passado pela Universidade de Michigan apontou uma ligação entre o uso excessivo das redes sociais e a infelicidade. Dados coletados assinalam que as emoções ligadas à infelicidade aumentaram proporcionalmente ao tempo de exposição às postagens de gente aparentemente feliz.
Para desenvolver o material, os pesquisadores enviavam cinco mensagens diárias, durante duas semanas a cada voluntário de um grupo de 82 pessoas dentre jovens e adultos. Os links mostravam a quantidade de vezes que cada um dos usuários visitava a rede social e quais eram seus níveis de preocupação, solidão e satisfação geral com a vida.
A vida do outro tem o mesmo grau de dificuldade que a nossa. O que acontece é que a maioria das pessoas destaca somente o que acontece de bom e isso nos gera a impressão de perfeição. Não há nada de errado em evitar postagens ruins, mas devemos lembrar que as redes sociais representam apenas uma parte de nós, aquilo que achamos que vale à pena dividir, evitando ressaltar coisas negativas.
Não considero estas escolhas uma espécie de alienação, mas sim uma maneira de dizer: ‘isso é legal e eu quero dividir com meus amigos’. Muitas vezes, estamos tristes e, passear por uma postagem engraçada ou uma foto bonita, uma poesia, um vídeo, pode ser um incentivo. Todas as relações, devem ser saudáveis, sejam virtuais ou pessoais.
(Dominique Magalhães, autora do livro “O que falta para você ser feliz”, lançamento da Editora Gente, é empresária com atuação em desenvolvimento social e mentora do “Projeto Social Dom – Qual o seu Dom?”)
Os erros das administrações públicas no Brasil: o empobrecimento dos municípios
Por Garibaldi Rizzo
Dos 5.570 municípios brasileiros, quase todos – pequenos, médios e grandes-, estão caindo aos pedaços. Precisamos resgatá-los e dar-lhes recursos e apoio necessários para que exerçam seu primordial papel na qualidade de vida dos brasileiros. Os recursos estão cada vez mais centralizados em Brasília, os Estados e municípios ficaram sobrecarregados. É preciso ter uma distribuição equitativa dos recursos públicos para fortalecer os estados e municípios e garantir serviços de qualidade à população.
O individuo não mora no Estado, na União, mora no município, onde se dá todo o processo político. Logo, tudo o que for administrado em menor escala será mais bem administrado, é preciso colocar o governo mais perto do povo e, por isso, torna-lo mais participativo, mais eficiente e mais democrático.
O desenvolvimento acontece nas regiões, nos municípios, nos Estados. Precisamos de uma nova forma de dividir e distribuir os recursos públicos. Precisamos de um novo pacto, mais justo na distribuição da arrecadação, o que potencializaria subsidiariamente a descentralização. A distribuição de recursos em relação a quantidade de impostos arrecadados é uma injustiça. A concentração está cada vez mais evidente e traz dificuldades. Os Estados e municípios precisam de mais atenção para atender as demandas básicas.
Não há nada de mais urgente na pauta do Brasil do que a refundação da Federação. Hoje compreendemos que é preciso rapidamente fazer um definitivo pacto em favor da Federação ou continuaremos a ter medidas paliativas anunciadas com enorme preocupação marqueteira, também importante: faltam por parte dos poderes federais e estaduais, planejamento e ações para dar aos municípios informações, recursos técnicos, treinamento e instrumentos de gestão que lhes permitam construir suas próprias bases administrativas e sociais. Outra coisa: quanto mais perto do cidadão estiver a decisão da utilização dos recursos públicos, melhor fica também a fiscalização dos recursos.
Um país com a dimensão do Brasil não pode ter uma gestão centralizadora. É preciso descentralizar tarefas e recursos para que a administração pública, em seu conjunto, alcance o nível de eficácia que os brasileiros esperam e merecem. E para isso é necessário transformar os municípios, onde as pessoas vivem, em espaços com real capacidade de decisão.
Os problemas acumulados na União e nos Estados aumentaram a demanda por serviços das administrações municipais, principalmente na área social. É comum os municípios assumirem uma série de encargos que formalmente seriam de competência de outras esferas administrativas. O cidadão, que não tem uma noção muito clara de quem faz o que, acha que a responsabilidade é quase sempre da Prefeitura. E a Prefeitura, para não ver o munícipe privado do serviço público, acaba assumindo tarefas alheias
A Constituição de 1988 reforçou a autonomia dos governos locais. Os municípios foram reconhecidos como entidades integrantes da Federação. Mas suas responsabilidades aumentaram mais que proporcionalmente ao acréscimo de recursos. Eles precisam de estabilidade institucional e de recursos financeiros para continuar trabalhando, inclusive buscando soluções simples e baratas, uma vez que poderão praticá-las utilizando sua enorme capacidade de mobilização .
Finalizando, a atuação do Município é de fundamental importância para solucionar problemas sociais, por ser o Governo que está mais próximo da população sendo, por conseguinte, mais acessível ao cidadão, tendo facilidade para mobilizar recursos locais e somá-los aos recursos públicos destinados à prestação de serviços e execução de obras de interesse comunitário. É importante, por isso mesmo, valorizar a descentralização governamental, pois ela pode ser a base para novas relações entre o Governo e a sociedade, especialmente se for acompanhada de medidas de fortalecimento do Município e da democratização da gestão social. Caso esta política pública não seja adotada, continuaremos a ver de braços cruzados o inchaço de nossas metrópoles, fruto da migração da população a procura de oportunidades de vida.
(Garibaldi Rizzo, arquiteto e urbanista, presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás)
O erro imperdoável de Jim Collins
Por Daniel Domeneghetti
O Erro Imperdoável de Jim Collins, a principal afirmação que postulamos como premissa e que desafiamos a ser contestada de forma geral (exceções pontuais monopólicas ou públicas não valem) é que “(...) Toda e qualquer empresa foi pensada, concebida, engendrada ou parida por acidente para suprir uma demanda real ou potencial de mercado. E, por mercado entendam-se clientes, consumidores ou empresas(...)”.
A afirmação imediatamente decorrente desta é que “(...) As empresas só sobrevivem se o mercado as autorizar. E, por mercado entendam-se, novamente, clientes, consumidores ou empresas (...)”.
Assim, chegamos à condição de que ”(...) Uma empresa só passa a existir por causa de seus clientes e só permanece existindo se for competente em atender, satisfazer, surpreender e desenvolver esses clientes (...)”.
Uma contradição retumbante e a dura realidade proposta por boa parte da guruzada, especialmente Jim Collins, o respeitado ex-consultor da McKinsey, autor de escrita bastante atraente e teses interessantes, mas que em termos de pesquisa e fundamentação vem se mostrando, de certa forma, inconsistente e, justamente por isso, vem pagando muito caro em termos de credibilidade por ignorar a relevância da variável cliente em suas pesquisas e constatações.
Dentre as obras que escreveu dois clássicos da literatura de negócios – agora na berlinda da “comprobabilidade” -, se destacam: “Feitas para Durar” e “Feitas para Vencer”.
Neles, o autor praticamente ignorou a importância do Cliente como ativo e como stakeholder corporativo, tanto como fator de longevidade (“Feitas para Durar”), como fator de crescimento (“Feitas para Vencer”), se concentrando nas questões mais intrínsecas às empresas, como missão-visão-valores, foco central do seu “Feitas para Durar” ou “Built To Last”, ou nos estilos de liderança e motores de crescimento, no “Feitas para Vencer”, ou “Good To Great”.
Fato é que poucos anos depois, muitas companhias ”duradouras” estão sumindo do mapa e, principalmente, várias “vencedoras” estão perdendo o jogo de lavada, assim como sua posição de liderança, relevância e mesmo viabilidade. Vá lá, leia os livros e cheque as listas de Collins.
Não foi surpresa descobrir após alguns anos que as empresas listadas em ambos os rankings de Collins enfrentaram graves problemas nos anos seguintes ao lançamento do livro. E isso sem necessariamente mudar a fórmula que ele descreveu em seu livro.
Assim, quando falamos das duas obras deste guru, fique à vontade para visualizar qualquer outro livro de guru que tenha se atrevido a escrever sobre estratégia empresarial, inovação e gestão competitiva, propalando conceitos “matadores”, sem dar a necessária atenção ao tema cliente.
Nosso ponto não vale somente para Collins ou para estas duas obras – longe disso, porque a este respeitamos, a despeito da crítica técnica, mas qualquer autor ou gestor que acredite que pode construir uma empresa excelente, igualmente competitiva e duradoura, sem colocar o cliente no centro de sua estratégia de longo prazo.
E, desde já, para que não haja confusões de entendimento e conceito daqui para, antecipamos: nada de modismos e sandices românticas do tipo “Cliente é Rei”, “O Cliente pode tudo” ou o “Cliente tem sempre razão”. O cemitério empresarial está cheio de empresas e gestores bem intencionados que foram degolados pelo déspota “Rei Cliente”. Feitas para o Cliente não tem nada a ver com essa monarquia imbecil.
Por fim, se você é um fã dos livros de Collins, continue lendo suas obras. Nós continuaremos. Não afirmamos aqui que as todas as premissas desse guru estão completamente erradas. Ao contrário, seus livros exibem muitos insights inegáveis, inclusive em suas teses sobre visão-missão-valores, liderança e motores de crescimento.
A questão é que estes elementos não são suficientes para determinar nem a longevidade, nem a competitividade das empresas. São apenas estrelas de uma constelação muito maior, ainda que reluzentes.
Se este é o seu caso, pense nas afirmações aqui contidas como um complemento necessário e mesmo indispensável aos vários bons conselhos de Collins (e de outros gurus). Pense neste livro como uma lente pela qual o livro de Collins e tantos outros devem ser relidos. Confie em nós; vai fazer sentido.
(Daniel Domeneghetti, especialista em Estratégia Corporativa, Top Management Consulting e Gestão de Ativos Intangíveis)
Um dia muito quente
por Daniel Antônio de Oliveira
Sempre levantei da cama muito cedo, quase sempre antes das 5 horas da manhã.
Leio alguma coisa, às vezes rabisco um negócio qualquer, que eu tenho a mania de denominar poesia.
Gosto muito do que escrevo, por não ter nenhum rebuscamento, é tudo muito simples, saído da alma, dos sentimentos, dos ressentimentos, das histórias vividas.
É assim que sou poeta, eu mesmo me contento vendo-me olhando para dentro de mim e colocando-me no papel, um poema escrevendo.
Não é para isso que abrir esta página, na verdade é para contar uma história da minha valentia. Adoro esta palavra, soa-me como um poema, sinto-me dentro dela, sinto-me produto da minha própria valentia, sinto-me valente até quando me acovardo, pois tive coragem de me acovardar.
Valente sou mesmo é quando tenho medo, sinto-me valente quando pelo medo me faço recuar.
Que sofismo filho da puta.
O Prego me ligou lá do Guapó e me pediu para acompanhar um seu sobrinho que tinha dado um tiro num soldado da Polícia Militar. Na verdade o rapaz era sobrinho de sua esposa e ela tinha pelo jovem grande estima. Ela temia que a Polícia o matasse. Isto ocorreu pelos idos de 1978, ainda vivíamos no regime dos torturadores e dos torturados.
Ocultei o rapaz em lugar seguro e liguei ao 1º DP para combinar sua apresentação à Polícia. Falei com o Delegado, titular da especializada cujo nome me parece que era Dr. Cassimiro.
Marquei para o dia seguinte às 13 horas, e no horário combinado liguei para o meu sócio de escritório e pedi-lhe que acompanhasse o referido jovem ao DP, onde eu me encontrava aguardando. Às 13 horas em ponto lá estava eu no DP, sai da Câmara Municipal e fui até o DP que ficava próximo.
Esperei até às 15 horas, naquela época não havia celular, e eles não apareceram, retornei-me à Câmara Municipal e encontrei logo na entrada a repórter Márcia Elizabete da TV Anhanguera.
Daniel Antônio preciso de uma entrevista sua. O Comandante Geral da PM deu uma entrevista acusando você de estar dando fuga a bandido em carro oficial.
Sorri e disse que ela estava brincando, não conhecia o Comandante da PM, não tinha relação nenhuma com qualquer tipo de Polícia.
Fui saindo, quando ela ligou a câmera e mandou que eu olhasse a fala do Coronel Comandante.
Um tapa na cara não teria me assustado tanto como o que ouvia o Coronel dizer, virei um urutu.
Disse para a Márcia, ou ele me mata ou eu mato ele, se ele não retirar esta deslavada mentira jogada no ar. A Márcia disse: não é mentira, eu filmei o carro, o sócio do seu escritório correndo para não falar comigo, o motorista e o bandido. Na filmagem estava tudo parecendo a mais cruel verdade.
Como eu havia ligado do Gabinete e o meu sócio sabendo que o motorista ia passar em frente ao Distrito Policial pediu-lhe uma carona até a Delegacia e depois voltava comigo para Campinas. Naquela época a Polícia monitorava por ordem do Comandante Geral, que era do Exército Brasileiro, toda a atividade política, todos os políticos, eu já era há muito freguês da P2 e das forças de repressão, só que eu tinha partido, tido como legal, o MDB, que era minha trincheira na luta contra os esbirros da ditadura. Dirigi-me ao Quartel da PM em frente ao Mutirama para falar com o Comandante, exigir dele uma retratação.
Ainda pensei vou ver se sou macho mesmo.
Vou desafiar o Coronel para provar o que ele acabou de afirmar, vou contar a ele a verdadeira história e dizer a ele da sua irresponsabilidade, maldade, modificação dos fatos. Ou ele diz a verdade que estava me monitorando, ou eu quebro a cara dele, ou saio de lá morto.
Apresentei-me no gabinete do Coronel¸ o ajudante de ordem era o Capitão Osvaldo Mota que me recebeu cordialmente, ofereceu-me água e café. Mas eu dispensei. Disse a ele que precisava falar com o Comandante Geral. Ele entrou no Gabinete, falou com o Coronel, ofereceu-me assento e pedisse que eu aguardasse.
Devo ter esperado uns 60 minutos e fui convidado a entrar no gabinete do Comandante, este estava sentado atrás de uma mesa, quando me aproximei ele levantou-se abruptamente e de dedo em riste, enfiado na minha cara, gritou alto e em bom som: “você estava dando fuga a bandido em carro oficial.” Da mesma forma que veio, foi: “eu estava dando fuga era para a puta que te pariu seu filho da puta, torturador.” Avancei com toda a minha fúria sobre ele e sua mesa, espalhando papéis por todo lado e a mão esquerda (sou canhoto), voando no rumo da sua fusa. Você está preso. Recebi a ordem da prisão e lhe disse, prender você pode, mas gritar comigo e me ofender você não pode, não sou seu subordinado, não admito agressão sem resposta.
Dentro do gabinete do Coronel estavam sentados, nos sofás, quatro Coronéis, dois deles eu ainda me lembro dos nomes, era o Coronel Geraldo de Freitas e o Coronel Agnelo.
Fui preso, numa cela dentro do próprio quartel onde se encontravam outros presos, eram soldados da Polícia Militar e tinham sido torturados, receberam choques, pau de arara, agulha, isto segundo me contaram, e ainda me disseram você está fudido, vai ser torturado também. Respondi a eles que se o Coronel fizesse isso comigo seria um torturador a menos, ia morrer.
Fiquei preso até às 4 horas da manhã, na mão de um doido, com poderes discricionários e inquisitivo. Não fui torturado. Não tive em momento algum qualquer manifestação de medo, pois tinha ido no quartel com o intuito de morrer se fosse preciso. A porta do quartel virou uma zorra total, lá estavam políticos do MDB, sendo eles Deputado Fernando Cunha, Deputado João Divino Dorneles, Senador Lázaro Barbosa e outros. A OAB inteira comandada pelo Senhor Doutor Ecellim, a maçonaria e toda a imprensa de Goiás aguardando a saída do defunto.
O Coronel me processou por desacato, foram ouvidas na audiência duas testemunhas, sendo Coronel Geraldo de Freitas e o Coronel Agnelo, que narraram os fatos conforme eles ocorreram. O juiz me absolveu porque considerou que eu fui afrontado, agredido e ofendido primeiro. Só havia respondido as agressões. Por isso é que eu me orgulho do Daniel Antônio. Naquele tempo os comandos das polícias de todo Brasil eram reserva do Exército Brasileiro, era um Major do Exército com o posto de Tenente Coronel e com função de Coronel que comandava a Polícia Militar, naturalmente para humilhar as polícias militares, só que o Exército Brasileiro temia essas polícias, medo político, medo das PMs se unirem aos Governadores dos Estados e afrontarem o arbítrio instalado no Brasil. O Governo fazia uso político das nossas polícias estaduais, foi assim na Guerrilha do Araguaia, no Bico do Papaguaio e em Xambioá, nos movimentos estudantis e como bem entendesse.
Graças às lutas dos democratas, iluminados por ideias oriundas de povos civilizados, com a ajuda do nosso povo, do arbítrio ficamos livres. Viva a liberdade, que é como cavamos masmorras ao vício e templos a virtude.
Esse Coronel do Exército esteve em Goiás e comandou a Segurança Pública durante dois governos o do Senhor Irapuan e o do Senhor Ari Valadão, ambos governadores biônicos, isto é nomeados pela ditadura.
Em 1982, o Iris foi eleito pelo voto democrático do povo e quis manter no cargo esse mesmo Coronel.
Disse para o Iris você o mantém e me terá como seu inimigo. Foi assim que o Coronel da ditadura não permaneceu no Comando da PM. Muitos quererão saber o nome desse Coronel, eu não o pronunciei durante a minha narrativa porque ele já é falecido.
Aos mortos a paz. Que Deus o tenha, não lhe tenho raiva apenas conto uma história.
(Daniel Antônio de Oliveira, ex-prefeito, ex-vereador, ex-deputado, ex-presidente da câmara)
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