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segunda-feira, 2 de junho de 2014
10 mentiras sobre o SUS que não tiveram coragem ou isenção de interesses para contar pra você
Por Marcelo Caixeta
1) Não falta dinheiro no SUS. Dou um exemplo simples : trabalho em um hospital filantrópico onde há 4 médicos que ganham uma média de 1.500 reais por mês. No SUS poderiam ganhar até 7 mil reais, mas não trocam um pelo outro. No SUS não são respeitados enquanto profissionais, no SUS não têm meios de fazerem uma medicina limpa e de qualidade.
2) Eles não vão para o SUS porque neste há uma filosofia básica : o médico não pode "dominar". O "socialismo" ( "todos iguais") impede que um "seja mais que o outro". O "socialismo" ( "ninguém pode ser mais que o outro") tem interesse em destruir todo tipo de iniciativa individual, todo tipo de “iniciativa privada”.
3) O SUS tem interesse em destruir o médico, entre outras coisas porque é dos poucos profissionais que têm oportunidades fora do Governo. Para o Governo é muito importante que toda a classe média se transforme em funcionários públicos, pois é assim que ela "compra a classe média" e a transforma em curral-eleitoral.
4) Por causa do ítem 3, há mais um motivo para destruir a Medicina fora do Governo : fazer com que o médico não tenha outra saída a não ser ir trabalhar para o Governo. Ultimamente, por exemplo, criou leis que obrigam os estudantes de Medicina e médicos recém-formados a trabalharem para o Governo.
5) Medicina é uma atividade humana científica muito complexa. É impossível fazê-la sem um médico. Por causa do que já foi exposto acima, é isto que o SUS tenta fazer. Por exemplo, contrata profissionais de saúde não-médicos para fazer o serviço do médico, sejam brasileiros, sejam cubanos ( formados em cursos técnicos de medicina ). Para isso utiliza-se inclusive de trabalho semi-escravo, profissionais de saúde cubanos cujo salário de 9 mil fica com Cuba e só 1 mil com eles. Um dos efeitos colaterais do comunismo são os baixos salários : com a abolição da iniciativa privada não há interesse em melhorar a produtividade. Há estagnação. Para resolver a estagnação, uma das soluções é a escravidão ( quando Stálin, por exemplo, destruiu o sistema agrícola da URSS, teve de escravizar a população e obrigá-la a trabalhar nos campos sob a mira dos fuzis ).
6) O SUS não é um sistema de saúde, é um sistema político. Seu objetivo não é o atendimento médico das pessoas, é o assistencialismo que visa o "domínio socialista" ( estatizante ) sobre uma população e a destruição da Iniciativa Privada ( "capitalismo" ) no âmbito médico-hospitalar.
7) Dizendo-se "socialista", diz que sua estratégia de base é a "medicina simples", "medicina de família", "medicina de bairros", etc. Mas esta estratégia é completamente ineficiente, não há hospitais, laboratórios, médicos especialistas. A medicina é uma atividade muito complexa do ponto de vista científico, e não dá para fazê-la de pés-descalços. De um lado, o Governo Federal tenta acabar com os hospitais , ou precarizá-los ( vide ótima reportagem emhttp://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/05/fantastico-percorre-hospitais-do-brasil-e-encontra-uti-sem-medicos.html ) . Com esta política atual perde-se uma média de 15 leitos do SUS por dia. No entanto, por outro lado, Governos Estaduais e Municipais cada vez tem a noção mais clara de que precisam investir em Medicina Hospitalar. Nenhum Governo coloca isto às claras, pois isto seria dar o braço à torcer para o "capitalismo", para a "iniciativa privada", pois só estes dão conta da complexidade hospitalar da Medicina. Governos Estaduais e Municipais, no Brasil todo, estão "complementando" as tabelas hospitalares do SUS, mas nenhum político, nenhum Governo, tem a coragem de dizer que "o paradigma de médicos-pés-descalços" não deu certo como estratégia de saúde pública, e que agora estão investindo mesmo é em medicina hospitalar , especializada, tecnológica.
8 ) O SUS mal-acostuma a população a achar que o atendimento médico-hospitalar é algo que tem de ser gratuito. Isto tem o efeito de abaixar preços de consultas e de hospitalizações, tornando cada vez mais raro o médico que atende bem no consultório e na enfermaria. Todos os médicos estão fugindo do trabalho clínico, ora querem virar funcionário público, ora querem fazer exames, cirurgias, procedimentos, ou , os que sobram para a "boa medicina clínica" ( ambulatorial ou hospitalar ) tendem a arrancar o couro dos pacientes ( cobram alto por um trabalho de qualidade, que não existe em outro lugar, seja no Governo seja nos Convênios ).
9 ) O SUS gratuito "contamina" também a Iniciativa Privada, abaixando preços de consultas e diárias nos planos de saúde. No âmbito dos planos de saúde os médicos trabalham mal, geralmente só ficam neles os médicos de má-qualidade. Esta má-qualidade faz com que serviços de consultórios "não prestem", serviços hospitalares em enfermariaapartamentos não prestem, aí recorre-se cada vez mais às UTIs, que viraram a "tentativa de panaceia Universal". Mas tal precarização já atinge também as UTIs, há unidades destas que funcionam até sem médicos ( vide reportagem acima ). Então, para "resolver o problema da saúde", criarão a Super-UTI, ou então ( vide reportagem da última Revista Época ), as famílias terão de vender tudo para pagar atendimentos de qualidade, mas caríssimos ( inflação do mercado por causa de sua destruição, causada pelo Governo ).
10 ) A deterioração que o Governo SUS promovem na Medicina é tanta que o Brasil é o único país no mundo onde a Medicina de Urgência e UTI é feita pelos profissionais mais inadequados ( nos países desenvolvidos, são os mais capacitados ) , ou seja, os que ganham pior, os recém-formados, os já velhos, cansados, desatualizados, cubanos, doentes, sem-formação, sem-especialização. Isto faz com que a qualidade de atendimento médico de urgência e UTIs sejam ainda piores do que a média da Medicina geral, redundando em numerosas mortes.
As mazelas do SUS, em suma, nada mais refletem do que a excessiva ingerência Governamental em uma área da Sociedade Civil ; como em todas as áreas, Economia inclusive, o resultado é este aí : falência e caos.
(Marcelo Caixeta, médico)
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